JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

SHOW DE LOSTIBA NO PARADA OBRIGATÓRIA, DIA 01/08/2010 - POSTAGEM EM CONSTRUÇÃO

PEDRO PETRÔNIO & TATAINA RABÊLO
ESTE BLOGUEIRO & ESPOSA
COMPADRE KLEBER GOMES & COMADRE NARA
ESTE BLOGUEIRO, COMPADRE CID JEAN E COMPADRE KLEBER GOMES
ESTE BLOGUEIRO E SEU FILHO DANNILO RABÊLO



LOSTIBA O MAIOR SERESTEIRO DO BRASIL
MAIS UM FLASH DOS AMIGOS
ANA CLARA DE COMPADRE KLEBER E COMADRE NARA
CICI DE FELIPE, GORETE E AMIGA
GALERA CURTINDO NA CALÇADA DO BAR
PEDRO PETRONIO COM A MÃO ERGUIDA, NARA, ANINHA E COMPADRE KLEBER

CRÔNICA DE ROSANA JATOBÁ



Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.


Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:

- Recomendo um passeio pelo nosso "Central Park", disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!

-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.

-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.

-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?

-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem "farofa" no parque.

-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.

-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar....

De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.

Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os "Paraíba", que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a "Cabeça chata", outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:

-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:

"O teu cabelo não nega, mulata

Porque és mulata na cor

Mas como a cor não pega, mulata

Mulata, quero o teu amor".

"É ofensivo", diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão "pé na cozinha", para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.

O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

"Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra 'niger' para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:

'Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe'...que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).

Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan 'black is beautiful'. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém".

Será que na era Obama vão inventar "Pé na Presidência", para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como "inofensivos" , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

- A minha "criadagem" não entra pelo elevador social !

E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, "viado", maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:

- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!

Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:

-Só podia ser loira!

Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:

- Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia ...

Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: "O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem".

Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.

O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:

-Só podia ser mendigo!

No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:

-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos. ..

Rosana Jatobá

Rosana Jatobá é jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo. Também apresenta a Previsão do Tempo no Jornal Nacional, da Rede Globo.

Esse texto é parte da série de crônicas sobre Sustentabilidade publicada na CBN

sábado, 31 de julho de 2010

OBRA PRIMA DO POETA ZÉ DE MARIANO - TABIRA - PE

CONQUISTA DE POBRE


Zé de Mariano:

UMA CASA DE TAIPA, UM CANDEEIRO

LAMBUZADO DE GÁS, UM TAMBORETE,

UMA FOICE, UMA FACA E UM TRINCHETE,

UM PEDAÇO DE FUMO E UM TABAQUEIRO,

UMA PORCA FUÇANDO NO TERREIRO,

UM CACHORRO LATINDO NO OITÃO,

UMA GATA OU UM GATO BEM LADRÃO,

DESCOBRINDO A PANELA DE XERÉM,

PRA ROUBAR A METADE DO QUE TEM

NA COZINHA DA CASA DE SEU JOÃO.



CADA CANTO DA SALA UMA ARMADOR

COM UMA REDE FUBENTA PENDURADA,

O MARTELO DOS RESTOS DE UMA ENXADA,

UMA LATA DE ZINCO E UM CAVADOR.

A IMAGEM PINTADA DO SENHOR;

TEM UM RÁDIO DE PILHA E UM ‘ATAJÉ’,

UM ANZOL DE TRAÍRA E UM JERERÉ

PENDURADO NO CAIBRO DA CHOUPANA,

UMA MESA DE TÁBUA DE UMBURANA

E UMA CUIA QUEBRADA DE CUITÉ.













TEM UM POTE COBERTO COM UM PRATO,

UMA IMAGEM DE SANTA CATARINA,

CADA PORTA DE QUARTO UMA CORTINA,

UMA MALA DE LADO COM UM BURACO,

UM COLCHÃO DE CAPIM FEITO DE SACO

COM UMAS MANCHAS DE MIJO DE MENINO...

UM LENÇOL VELHO, FRACO, SUJO E FINO,

COSTURADO COM LINHA DE ALGODÃO

E NO PREGO UM PEDAÇO DE CORDÃO

PENDURANDO UMA IMAGEM DO DIVINO.



BACAMARTE, ESPINGARDA SOCA-SOCA,

RATOEIRA, CHIBANCA, FOICE E PÁ,

SELA VELHA, CANGALHA, CAÇUÁ,

UMA VARA COMPRIDA DE TABOCA,

UMA TUIA DE MUDA DE MANDIOCA,

UMA RUMA DE VAJENS DE FEIJÃO,

UM CHIQUEIRO NO MURO COM UM CAPÃO

E A RAPOSA DO LADO CURIANDO,

DOIS MENINOS COM OS OLHOS REMELANDO

E AS BOCHECHAS MELADAS DE CARVÃO.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

ATÉ QUANDO - S.O.S TELEFONIA MÓVEL

DO SITE: TÁRCIO VIU ASSIM
HÁ QUANTOS DIAS ESTAMOS SEM CELULAR


Há 1611 dias Tuparetama está sem telefonia móvel. Nem politicos, nem autoridades, nem governo do estado nem ANATEL conseguem fazer com que as teles cumpram a lei. Continuamos privados do direito de comunicação e do acesso à rede de celulares.
VAMOS AUMENTAR OS ELOS DESSA CORRENTE, DIVULGUEM NOS SEUS BLLOGS, SITES TWITERS, ETC.

SONETO DO POETA JANIO LEITE PARA A SUA AVÓ



Vovó...





És exemplo de vida e resistência
Mulher forte na sua trajetória
Foste um marco por toda existência
Seu passado pra nós hoje é história


Continuas a viver com persistência
Alcançando e vivendo esta vitória
Pois criastes a família com decência
És pilastra da vida tu és glória


Teu semblante é semblante de guerreira
De mulher, de amiga e companheira
Que uniu tudo isso num ser só


Tens o amor em seu rosto estampado
Sentimento que jamais foi ocultado
Como mãe, como amiga ou como avó...


Janio Leite – 17/06/2010

VERSOS DE JOÃO PARAIBANO



Doutor eu sei que errei

Por dois fatos, dama e porre
Por amor se mata e morre
Eu não morri nem matei
Apenas não respeitei
Um ambiente de classe
Depois de apanhar na face
Bati na flor do meu ramo
Estou preso porque amo
Quanto mais se odiasse


Poeta mesmo ofendido
Ainda oferece afeto
Faz pena dormi no teto
Da morada de um bandido
Se humilha, faz pedido
Ninguém escuta a voz sua
Não ver o sol nem a lua
Padece o maior desprezo
Pra que um poeta preso
Com tantos ladrões na rua


Sei que não sou marginal
Mas com ciúmes de alguém
Pedi pra fazer o bem
Acabei fazendo o mal
Eu tenho casa e quintal
Portão, cortina e janela
Deixei pra dormir na sela
Com a minha cabeça lesa
Só sabe a cruz quanto pesa
Quem ta carregando ela

Doutor se eu perder o nome
Não acho mais quem me empreste
A minha mulher não veste
Os filhos que tem não come
A minha fama se some
Para nunca mais voltar
Não querendo lhe comprar
Humildemente eu lhe peço
Se puder rasgue o processo
Deixe o poeta cantar

(João Paraibano)

terça-feira, 27 de julho de 2010

SONETO MAGNÍFICO

Eu insisto, por mais que você guarde
Raiva queixas, malícias frustrações
Quando a gente persiste nunca é tarde
Pra vencer essas indignações

Não precisa de grito nem alarde
Basta ser fiel nas conclusões
Se você não agir como covarde
Haverei de provar minhas razões.

Se insistes em regra antagônicas
Para curar as minhas dores crônicas
Vou buscar o remédio do além

E quando for declarar a minha perda
Deixe eu ser um zero a esquerda
Pra não ser dividido com ninguém .

“ Geraldo Alves “

VERSOS DE JOEL GOMES JR.

Eu dei todo o amor q vc quiz


Fiz de tudo tentando te agradar

Mais agora vc vem me falar

Que ao meu lado jamais foste feliz

Minha arvore de amor tá sem raiz

Se nagaste a irrigar essa paixão

Me prendeste na sela da ilusão

Pra viver um amor de fantasia

Os garranchos da tua covardia

Arranharam de mais meu coração



Sinto muito em ter sido o derradeiro

Em beijar sua boca ai como eu sinto

Sinto mais em não ter no seu recinto

As lembranças de mim como o primeiro

Sinto o leve sabor q tem seu cheiro

Sinto o peso dos anos sinto a dor

Mau me quer bem me quer de uma flor

Mau me quer persistiu e eu fui traido

O que eu sinto na vida é não ter sido

A primera ilusãoo do teu amor

domingo, 25 de julho de 2010

HOMENAGEM DO POETA DEDÉ MONTEIRO AO PROFESSOR JOSÉ RABÊLO



Homenagem do poeta Dedé Monteiro ao Professor e Advogado José Rabêlo de Vasconcelos




Quem passou pela vida em brancas nuvens

E em plácido repouso adormeceu

Quem sentiu o fio da desgraça

Quem passou pela vida e não temeu

Foi espectro de homem, não foi homem

Só passou pela e não viveu





Mas tu ,Rabelo,tu viveste tanto,

Fizeste tanto, tanto te doaste,

Que, mesmo em vista de algum desencanto,

Seguiste em frente, não te acovardaste.



Vestindo toga de demônio e santo,

No mais terrível divinal contraste

Foste guerreiro do riso e do pranto

Todas as lutas sem temor lutaste



Se a poesia perde uma menestrel

Perde o direito um gênio bacharel

E o magistério um mestre sem igual.



Enquanto a gente sofre, chora e sente,

O céu gargalha sobre a dor da gente

Por que recebe um santo genial.

(Dedé Monteiro)

VERSO DE ALDO NEVES

No teu beijo, Deus bota uma mistura


Que imitá-lo eu acho tão custoso

O teu beijo pra mim, é mais gostoso,

Que uma manga depois que está madura.

Porque que ele pra mim tem mais doçura

Que o miolo da própria melancia

Eu beijei o teu rosto e, não sabia,

Que o teu cheiro ficava em minha face

Se o teu beijo matasse quem beijasse

Eu beijava sabendo que morria

(Aldo Neves)