JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

segunda-feira, 30 de julho de 2012

PROBLEMA SECULAR!!!

REBANHOS CONTINUAM MORRENDO COM ESTIAGEM NO SERTÃO
 

Enquanto a imprensa absorve a agenda política, a seca continua dizimando rebanhos em áreas do Pajeú. O relato e fotos do correspondente Marcelo Patriota, em registro especial para o blog,  mostram o drama  na Fazenda Várzea de Queimadas, que tem 90 hectares, e que fica a 9 quilômetros da sede do município. Ao todo, são 120 animais de propriedade do criador Luciano Silva, conhecido como Luciano do Leite.
Luciano do Leite e as carcaças de seus animais: morrendo de fome e  sede
Por causa da estiagem, ele já perdeu mais de 10% do rebanho,  25 vacas. "Eu tirava 120 litros de leite por dia. Hoje não tiro mais nada. Vendi umas 30 vacas a R$ 500 pra receber em 2013,e achei um bom negocio”. Segundo ele, não restava alternativa.  Ele  disse ter cavado um poço que deu 7 mil litros de água. “Mas falta instalar as bombas. Não tenho esse dinheiro”, disse.
Agora, seu Luciano diz que vai arrumar um trator e enterrar os animais. “Fico muito triste quando vejo isso. Tudo o que você trabalhou e o pior, vendo morrer de fome e não puder fazer nada  " frisou Luciano do Leite.
Em outras cidades há registros de mortes de animais em ocorrência da estiagem. Em Itapetim, no sitio de Ademar Vaqueiro, a 4 quilômetros da sede do município, até animais silvestres como dois macacos apareceram debilitados. "Eles só aparecem quando estão com muita fome nas serras onde vivem”, atesta.
 
 
Por Nill Júnior

domingo, 29 de julho de 2012

POETAS DA SEMANA

POESIAS COLHIDAS DO FACEBOOCK...

 
I
“O livro da vida existe,
Cada um possue o seu,
Tem livros em preto e branco,
Não é o caso do meu,
O meu tem traços e cores,
Borrões feitos por amores.
Que os rabiscos doeu”

II

“Tem páginas amareladas,
Sinais do tempo passado,
Lembraças dos bons amigos,
Com nostalgia, anotado,
Nas partes que foi comida,
Por muitas “traças” da Vida,
Foi o que eu fiz de arrado”

III

Do meio do livro pra frente,
Tem escrito A Juventude,
Personalidade forte,
Nada que o tempo não mude,
A gente sempre enrolando,
Ao ouvir os pais falando,
‘ou trabalhe ou estude’

IV

“Com muitas páginas em branco,
Pra com sangue ser escrita,
De forma sábia e correta,
E não com letra bonita,
Pra chegar na meia-idade,
Com força e maturidade,
Para ficar bem na fita”

Hesdras Souto
 
MUSA INSPIRAÇÃO

A SOLIDÃO QUE ME INVADE
SÓ TRAZ NA MENTE A FEIÇÃO
DESSA MUSA INSPIRAÇÃO
QUE VIVE EM OUTRA CIDADE

POREM A MINHA VONTADE
É DE DEIXAR MEU TORRÃO
IR ATRÁS DESSA PAIXÃO
PRA VER SE MATO A SAUDADE

VER OS SEUS OLHOS BRILHANDO
SENTIR SEU CORPO SUANDO
COM TODO AQUELE FERVOR

TÊ-LA DE NOVO EM MEUS BRAÇOS
E ENTRE BEIJOS E ABRAÇOS
LHE DAR TODO O MEU AMOR.

Ciro Filó.
 

RECEITA DA SEMANA

Picado Gaúcho

Picado Gaúcho

Ingramasedientes:
250 gramas de linguiça calabresa
250 gramas de toucinho defumado
500 gramas de presunto cozido
750 gramas de contra-filé
750 gramas de lombinho de porco
1 cebola grande
3 dentes de alho
1/2 maço de salsa
1/2 gramas cebolinha
1 pimenta-malagueta madura
1/2 xícara óleo de milho
1/2 xícara de vinho tinto
Pimenta do reino preta e sal a gosto

Preparo:

Cortar as carnes limpas e o presunto em cubinhos e a lingüiça em rodelas não muito grossa. Cortar o toucinho sem o couro em fatias bem finas.

Amassar bem as pimentas com 1 colher(de sobremesa) de água, misturar com as cebolas raladas, o alho espremido e a salsas e a cebolinha picadinhas.


Juntar o óleo e o vinagre, temperar com 1 colher de
sopa cheia de sal. Mexer tudo muito bem e despejar sobre as carnes. Misturar e deixar pegar o gosto por mais ou menos 2 horas no refrigerador.

Espalhar as carnes com o molho numa assadeira não muito grande e levar ao forno médio e pré-aquecido, por 1 hora e 30 minutos. De vez em quando regue as carnes com o próprio molho que vai se formando.


Dica:
Servir com arroz branco.

FRASE DA SEMANA

"A melhor maneira de se ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros". 
(Desconhecido)

FILME DA SEMANA

CONQUISTA DE REIS
 Sinopse: Conquista de Reis é um épico que revive a história de um povo através da vida de Ester , uma judia, que tornou-se uma das rainhas mais corajosas de todos os tempos, enfrentando o Rei Xerxes e a própria morte para defender seu povo. O triunfo de Ester não é por causa de uma intervenção divina e sim por sua humanidade e bravura que a tornaram lenda. cartaz de Conquista de Reis






quarta-feira, 25 de julho de 2012

MENSAGEM LINDA, MARAVILHOSA, LIÇÃO DE VIDA!!!

OS TRÊS CONSELHOS

Um casal de jovens recém-casados, era muito pobre e vivia de favores num sítio do interior. Um dia o marido fez a seguinte proposta para a esposa:  "Querida eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e enquanto eu estiver fora, seja FIEL a mim, pois eu Serei fiel a você". Assim sendo, o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda. O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito. Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito. O pacto foi o seguinte: "me deixe trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o senhor me dispensa das minhas obrigações.
EU NÃO QUERO RECEBER O MEU SALÁRIO.
Peço que o senhor o coloque na poupança até o dia em que eu for embora. No dia em que eu sair o senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho". Tudo combinado. Aquele jovem trabalhou DURANTE VINTE ANOS, sem férias e sem descanso.
Depois de vinte anos chegou para o patrão e disse: "Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa". O patrão então lhe respondeu: "Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes quero lhe fazer uma proposta, tudo bem?
-- Eu lhe dou o seu dinheiro e você vai embora, ou LHE DOU TRÊS CONSELHOS e não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos, se eu lhe der os conselhos, eu não lhe dou o dinheiro.
Vá para o seu quarto, pense e depois me dê a resposta". Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe: "QUERO OS TRÊS CONSELHOS". O patrão novamente frisou: "Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro". E o empregado respondeu:
"Quero os conselhos". O patrão então lhe falou:
1. "NUNCA TOME ATALHOS EM SUA VIDA. Caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida.
2. NUNCA SEJA CURIOSO PARA AQUILO QUE É MAL, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal.
3. NUNCA TOME DECISÕES EM MOMENTOS DE ÓDIO OU DE DOR, pois você pode se arrepender e ser tarde demais." Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim: "AQUI VOCÊ TEM TRÊS PÃES, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa". O homem então, seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava. Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou: "Para onde você vai?" Ele respondeu:
"Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por essa estrada".
O andarilho disse-lhe então: "Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que é dez, e você chega em poucos dias". O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do primeiro conselho, então voltou e seguiu o caminho normal.
Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada. Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pode hospedar-se. "Pagou" a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir.
De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor.
Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho. Voltou, deitou-se e dormiu. Ao amanhecer, após tomar café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido. O hospedeiro: e você não ficou curioso?
Ele disse que não. No que o hospedeiro respondeu: VOCÊ É O PRIMEIRO HÓSPEDE A SAIR DAQUI VIVO, pois meu filho tem crises de loucura, grita durante a noite e quando o hóspede sai, mata-o e enterra-o no quintal. O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa. Depois de muitos dias e noites de caminhada... já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa.
Estava anoitecendo, mas ele pode ver que ela não estava só. Andou mais um pouco e viu que ela tinha no seu colo, um homem a quem estava acariciando os cabelos. Quando viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de encontro aos dois e a matá-los sem piedade. Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou-se do terceiro conselho. Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão. Ao amanhecer, já com a cabeça fria, ele disse: - "NÃO VOU MATAR MINHA ESPOSA E NEM O SEU AMANTE.
Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta.
Só que antes, quero dizer a minha esposa que eu sempre FUI FIEL A ELA". Dirigiu-se à porta da casa e bateu. Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira em seu pescoço e o abraça afetuosamente. Ele tenta afastá-la, mas não consegue. Então com as lágrimas nos olhos lhe diz: - "Eu fui fiel a você e você me traiu...
Ela espantada lhe responde: - "Como? eu nunca lhe trai, esperei durante esses vintes anos. Ele então lhe perguntou: - "E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer? E ela lhe disse: - "AQUELE HOMEM É NOSSO FILHO.
Quando você foi embora, descobri que estava grávida.
Hoje ele está com vinte anos de idade".  Então o marido entrou, conheceu, abraçou o filho e contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café. Sentaram-se para tomar café e comer juntos o último pão.
 APÓS A ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO, COM LÁGRIMAS DE EMOÇÃO, ele parte o pão e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação. Muitas vezes achamos que o atalho "queima etapas" e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade... Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará... Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois... Espero que você, não se esqueça desses três conselhos e não se esqueça também de CONFIAR (mesmo que a vida muitas vezes já tenha te dado motivos para a desconfiança).

terça-feira, 24 de julho de 2012

VERSOS DO DIA!!!!

 FAZER EM SILÊNCIO É LOUVÁVEL

Vou deixar de dizer aos “irmãos” meus
Que dividam seu pão com quem não tem
Vou pegar o meu pão partir também
Sem dizer a ninguém, somente a Deus
Nem que eu seja mais um dos “fariseus”
Vou fazer essa ação acontecer
Que um pão todo é capaz de me ofender
Onde muitos precisam de um pedaço
Vou deixar de dizer o que eu não faço
Vou tentar ver se faço sem dizer!

ZÉ ADALBERTO

Janio Leite
Tive tanta esperança em minha vida
De viver com você sempre ao meu lado
De repente o destino foi mudado
E eu sofri com o adeus da despedida
Hoje a dor que eu sinto é sem medida
 

E meus planos aos poucos se acabavam
E as cenas vividas se passavam
Igual folhas que o vento carregou
A borracha do tempo apagou
Meus rabiscos de sonhos que restavam


ANIVERSÁRIO DE VALDIR TELES, SÍTIO SERRINHA, JULHO DE 2012!!!!





















 

RETRATO EMPOEIRADO

Minha casa está hoje tão vazia
O silêncio implodiu meu coração
Eu me lembro de sua construção
Cada bloco de pedra que subia.

Cada tijolo, cada viga, me fazia
Me sentir por completo um cidadão
E hoje triste isolada e muito fria
Transformou-se no lar da solidão.

Pelas brechas da telha o sol invade
Luminando um restinho de saudade
Ouço Chico em meu radio ABC.

Na parede um retrato empoeirado
Me transporta de volta pro passado
Eu careço, eu preciso de você.

domingo, 22 de julho de 2012

POETAS DA SEMANA


Esse poetas genias... Depois de tanto falado, debatido, criado e recitado o tema SAUDADE é inesgotável... O poeta Leonardo Bastião, de Itapetim – PE, disse é essa magnífica sextilha:

Eu também plantei saudade
Numa pequena panela
E só de quinze em quinze dias
É que eu botava água nela
Pr’ela não crescer demais
Matar quem cuidava dela


MANOEL ATINGIU A PERFEIÇÃO
EM CONDUTA, BONDADE E POESIA
(Moura
Felizardo – Luis Homero)

Um espírito de luz incandescente
De um saber muito mais que literário
Todo dia rasgava o calendário
Com a força imortal de seu repente
Se bebesse cem doses de aguardente
Não tombava pra trás e nem pendia
Quase tudo na vida ele sabia
Tinha o censo de um “adivinhão”
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia.

Se glosasse na mesa ou desse um tema
Retratava o mundo em duas linhas
A dureza do bico das galinhas
E a tristeza do sono da jurema
Colocava doçura em seu poema
Ninguém sabe de onde minaria
Abstrato do mel na ventania
Que carrega da pinha do oitão
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia

Se alguém perguntasse como vai?
Vou prestando resposta imediata!
Pra chegar não marcava nunca a data
Nem dizia o momento quando sai
Um herdeiro legitimo do seu pai
Zé Filó doador da teoria
Se quisesse viver da cantoria
Tinha sido do mundo assombração
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia.

Em conduta foi mais do que perfeito
Na bondade ninguém lhe imitou
Na poesia chegou e ultrapassou
Os limites da linha do seu peito
Se qualquer ser humano tem defeito
Eu discordo, em Filó não existia
Foi exemplo do mundo onde vivia
E hoje é mestre em outra encarnação
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia

O carão assustado não dormiu
Nos espinhos da velha quixabeira
O canário amarelo de aroeira
Avistou o palanque e não subiu
Foi embora o poeta que o Brasil
Por ser grande demais não conhecia
Ta de luto o baião da cantoria
Multiplica a saudade de Cancão
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia.

O semblante da paz foi estampado
No seu rosto coberto de verdade
Sempre quis demonstrar felicidade
Tudo quanto era bom queria mais
O carisma dos tempos de rapaz
Com um gesto bondoso transmitia
Fez travar o portão da ventania
E botou teto no vão da amplidão
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia

Decantou os segredos naturais
Com grandeza e total conhecimento
A feiúra que tem o papa vento
Na faxina da cerca dos currais
Vaga-lume que pisca nos quintais
Na neblina testando a bateria
A zabumba do canto de uma jia
Quando a noite escorresse o cacimbão
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia.

Não gostava de ocupar ninguém
Disfarçava da raiva absoluta
Nunca quis medir força sem disputa
Era simples, vivei só pelo bem
Sua fonte vertia do além
Extraída da vã filosofia
Quase não recitava o que fazia
Tinha medo de sua imensidão
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia

Comparou o balanço da morena
Com o leque sutil da carnaúba
E o seu corpo macio igual a fuba
Revestido da pele que serena
Sutileza do faro da Hiena
E da onça que sai da gruta fria
Deita em cima das mãos quando anuncia
Que a pressa já vem na direção
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia.

Se um amigo ele fosse visitar
Com certeza levava algum presente
Possuía afeição pelo parente
Do ausente vivia a se lembrar
Tinha um jeito modesto de tratar
Quem chegasse na sua companhia
Se uma frase ferisse não dizia
Para não magoar um coração
Manoel atingiu a perfeição
Em conduta, bondade e poesia

Sempre Com Você
      
Estarei com você no sonho terno
No pesadelo estarei se for preciso
Estarei com você se for inferno
Estarei com você se paraíso.

Nas manhãs mais românticas de inferno
Estarei com você no seu sorriso
Mas se o pranto pra te servi de terno
O teu lenço será meu improviso

Se um dia, a caso em teu caminho
Tu sentires fome de carrinho
Minha pele será teu alimento

Se não tiver ninguém ao seu redor
E a caso pensares que estais só,
Estarei com você no pensamento.

(Paulo Rabêlo) 


Sonho de Sabiá ( Cancão)

Um sabiá diligente
Voou pela vastidão
Mas por inexperiente
Caiu em um alçapão.
Depois de aprisionado
Ficou mais martirizado
Pensando no seu filhinho.
Implume sem alimento
Exposto a chuva e ao vento
Sem poder sair do ninho

Deram-lhe por seu abrigo
Uma pequena gaiola
Num casebre de um mendigo
Que só comia de esmola.
Só vivia cochilando
Com certeza imaginando
Sua liberdade santa.
Ia cantar não podia
Que a sua voz se perdia
Logo ao sair da garganta

Tornou-se a pena cinzenta
No rigor do seu castigo
Na saleta fumarenta
Da casa do tal mendigo.
Triste sempre arrepiado
Neste viver desolado
Ia um mês. vinha outro mês,
Assim completou um ano
Sentindo seu desengano
Nunca cantou uma vez.

Depois uma tarde inteira
O pobre do passarinho
Sonhou que ia à palmeira
Onde tinha feito o ninho.
Olhava em frente às campinas
Via por traz das colinas
A natureza sorrindo.
Ao sentir a liberdade
Pensou ser realidade
Sem saber cantou dormindo.

Depois sonhou que voltava
A terra dos braunais
Por onde sempre cantava
Junto aos outros sabiás.
Voava  nas ribanceiras
Pousava nas laranjeiras
Olhando o clarão do dia.
Voava através do monte
Voltava a beber na fonte
Que todas manhãs bebia.

No sonho via as favelas
Criadas nos carrascais
Voou baixo, pousou nelas,
Cantou os seus madrigais
Voltou, colheu os orvalhos,
Que gotejavam dos galhos
Dos frondosos  jiquiris.
Alegre abria a plumagem
Pra receber a bafagem
Das manhãs do seu país.

Foi a terra dos palmares
Atravessou toda flora
Voou por todos lugares
Que tinha voado outrora.
Passou pelos mangueirais
Entre outros sabiás
Cantou sonora canção.
O seu som melodioso
Estava mais pesaroso
Devido a sua emoção.

Viu a vinda do inverno
Nos quadrantes da paisagem
Ouviu o sussurro terno
Do bulício da folhagem.
Cantou todo arrebol
O brilho morno do sol
Morrendo nos altos cumes.
Sentia quando cantava
Que seu coração chorava
Com mais tristeza e queixumes.

Sonhou catando sementes
Num campo vasto e risonho
Se sentia tão contente
Que sonhou que fosse um sonho.
Olhava pra vastidão
Tocava  em seu coração
Um regozijo profundo
Todas delícias sentia
Às vezes lhe parecia
Vivendo fora do mundo.

Voou por entre os verdores
Atravessou as searas
Cantou pelos resplendores
Das manhãs frescas e claras.
Passou pelo campo vago
Bebeu das águas do lago
Posou sobre os arvoredos.
Entrou pelo bosque escuro
Aí sonhou um futuro
Tão triste que teve medo.

Depois  sonhou que estava
Trancado em uma gaiola
Ouvindo alguém que cantava
Na porta pedindo esmola.
Ao despertar de momento
Reparou seu aposento
Ouviu falar o mendigo.
Fechou os olhos pensando
Sentiu seu íntimo chorando
No rigor do seu castigo.

Ainda em vão procurava
Sair daquela prisão
Seu olhar denunciava
Piedade e compaixão.
Ao pensar na liberdade
A mais pungente saudade
Devorava o peito seu
Assim o cantor da mata
Ferido da sorte ingrata
No outro dia morreu.

Uma cortesia do amigo: Josa Rabêlo