JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
GEME O CEDRO NO CENTRO DA FLORESTA/QUANDO ESCUTA O MACHADO TRABALHAR
A quentura rachando o tabuleiro
Sofre o pássaro por tá desprotegido
E o planeta inocente é atingido
Pelo homem pensando no dinheiro
Baraúna, aroreira e juzeiro
Não vejo ninguém pra preservar
Mas conheço quem queira desmatar
Um restinho de sombra q 'inda resta
GEME O CEDRO NO CENTRO DA FLORESTA
QUANDO ESCUTA O MACHA DO TRABALHAR
Sofre o pássaro por tá desprotegido
E o planeta inocente é atingido
Pelo homem pensando no dinheiro
Baraúna, aroreira e juzeiro
Não vejo ninguém pra preservar
Mas conheço quem queira desmatar
Um restinho de sombra q 'inda resta
GEME O CEDRO NO CENTRO DA FLORESTA
QUANDO ESCUTA O MACHA DO TRABALHAR
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
SOS TUPARETAMA
| População deTuparetama pede segurança | ||||||
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
VERSO DE MARIANA TELES
Eu só faço verso quando
Sinto a rajada das dores
Nasce uma cova de rimas
No jardim dos meus amores
E eu pinto minha tristeza
Com vesos de várias cores
Sinto a rajada das dores
Nasce uma cova de rimas
No jardim dos meus amores
E eu pinto minha tristeza
Com vesos de várias cores
terça-feira, 30 de novembro de 2010
MÃE, POEMA DE Giuseppe Ghiaroni
Giuseppe Ghiaroni
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DEDÉ MONTEIRO, A PORCA PRETA PELADA
Dedé Monteiro
No dia em que eu me casei
Ganhei uma bacorinha.
Era preta e peladinha,
Com muito gosto a criei.
Cresceu tanto que eu nem sei
discriminar a cevada.
Assombrava a meninada
Com seu tipo de gigante!
Parecia um elefante
A porca preta pelada.
Todos tinham medo dela,
Mas ela era tão mansinha
Que eu fiz uma cangalhinha
Pra carregar coisa nela…
Depois comprei uma sela
E a bicha deu de tacada:
Aprendeu toda passada,
Sem ser preciso ensinar…
Todos queriam comprar
A porca preta pelada.
Mas eu não vendia não.
Podia vir ouro em pó
Que eu não dava um mocotó
Da bicha por um milhão!
Um dia um rico ancião
Chegou na minha morada
Com uma vaca raçada,
Me cantou pra fazer troca,
Mas eu disse: é de maroca
A porca preta pelada.
O tempo se foi passando,
A fama dela crescia:
Eu estava almoçando um dia
E, quando estava almoçando,
Ouvi um carro zuando,
Saí pra ver da calçada,
Vi o carrinho na estrada,
Dele o prefeito descer
Dizendo: ‘eu vim só pra ver
A porca preta pelada…’
Tudo ia correndo certo,
Mas um dia aconteceu:
Quando o dia amanheceu
Procurei-a e não vi perto…
E, vendo tudo deserto,
Disse: ‘a bicha foi roubada…’
Mas achei a condenada
Na roça de Pedro Mudo.
Estava acabando tudo
A porca preta pelada
Tudo que o Pedro cobrou
Paguei sem fazer questão:
Notei que tinha razão,
Pois quase nada ficou…
E ela não se conformou,
Foi lá outra madrugada;
Dessa vez não deixou nada,
Carregou tudo na pança…
Era um ‘esmeril de França’
A porca preta pelada.
De outra feita fez um oco
Na roça de Tia Zefa:
Comeu quase uma tarefa
De jerimum de ‘caboco’…
Derrubou dez pé de coco,
Cada um de uma dentada…
E titia aperreada
Com essa terrível arte,
Quis matar de bacamarte
A porca preta pelada.
Paguei todo o prejuízo,
Depois chamei um pedreiro,
Mandei fazer um chiqueiro
Do jeito que era preciso.
Gastei até ficar liso,
Mas ela ficou trancada,
Tia ficou sossegada,
Eu sossegado fiquei,
Porque nunca mais soltei
A porca preta pelada.
Já fazia um ano e meio
Que a suína estava presa,
Quando uma rude tristeza
Quase aniquilar-me veio.
Foi grande o meu aperreio:
Ela amanheceu deitada,
Sem comer, acabrunhada…
Fui ver o que tinha sido,
A cobra tinha mordido
A porca preta pelada.
Mandei logo um portador
Chamar Seu Zeca Toinho,
Ele foi num minutinho
E trouxe o tal curador.
Este me fez um favor
Que eu não pagarei com nada:
Deixou a bicha curada,
Nunca vi reza tão forte!
Tirou das garras da morte
A porca preta pelada.
Aí gastei mais dinheiro
Pra dar proteção a ela:
Comprei dez metros de tela,
Dessa de fazer viveiro.
Cobri de tela o chiqueiro,
Não deixei brecha pra nada.
A tela era tão fechada
Que não passava nem grilo.
Então fui cevar tranqüilo
A porca preta pelada.
E para recuperar
Todo aquele dinheirão
Adquiri um barrão
Para com ela cruzar.
E, para a estória encurtar.
Apareceu a ninhada!
Até que sei tabuada,
Mas quase que não contava…
Todo mundo admirava
A porca preta pelada.
Ao todo eram trinta e três,
De robusto a mais robusto!
Com um mês, causavam susto:
Já pareciam ter seis…
‘Enriqueci’ de uma vez
Na venda da bicharada:
Vendi a cem contos cada,
Enchi os bolsos contente
E fui cevar novamente
A porca preta pelada.
Inda deu mais sete crias,
Cada qual mais numerosa
Ficou mais do que famosa,
Me deu milhões de alegrias!
Mas também deu-me agonias:
Morreu de velha, coitada…
Hoje só resta a ossada
Da rainha dos suínos,
Assombração dos meninos,
A porca preta pelada.
Tabira, 1970
FIM DE FEIRA, POEMA DE DEDÉ MONTEIRO
DEDÉ MONTEIRO - Fim de feira
o lixo atapeta o chão
um caminhão se balança
quem vem de fora se lança
em cima do caminhão
um ébrio esmurra o balcão
no botequim da esquina
o gari faz a faxina
um cego ensaca a sanfona
e um vendedor dobra a lona
depois que a feira termina.
miçanga, fruta, verdura,
milho feijão e farinha,
bode, suíno, galinha,
miudeza, rapadura.
é esta a imagem pura
de uma feira nordestina
que começa pequenina,
dez horas não cabe o povo.
e só diminui de novo
depois que a feira termina
na matriz que nunca fecha
muito apressado entra alguém
mas sai vexado também
se não o carro lhe deixa
o padre gordo se queixa
do calor que lhe domina
e agita tanto a batina
quem que vê fica com pena
toca o sino pra novena
depois que a feira termina.
a filhinha do mendigo
sentada a seus pés, num beco,
comendo um pão doce seco
diz: papai, coma comigo.
e o velho pensa consigo
meu deus, mudai sua sina
pra que minha pequenina
não sofra o que eu sofro agora
ria a filha, o velho chora
depois que a feira termina.
um pedinte se levanta
da beira de uma calçada
chupando uma manga espada
pra servir de almoço e janta
um boi de carro se espanta
se o motorista buzina
um velho fecha a cantina
um cachorro arrasta um osso
e o pobre “assavessa” o bolso
depois qua a feira termina
um camponês se engana
chega atrasado na feira
não compra mais macaxeira,
nem batata, nem banana
empurra a cara na cana
pra esquecer a ruína,
arroz, feijão, margarina,
açúcar, óleo, salada,
regressa e não leva nada
depois que a feira termina
no açougue da cidade
das cinco e meia em diante
não tem um pé de marchante
mas mosca tem com vontade
um faxineiro abre a grade
tira uma mangueira fina
rodo, pano, creolina,
deixa tudo uma beleza
mas só começa a limpeza
depois que a feira termina
e o dono da miudeza
já tendo fechado a mala
escuta o rapaz que fala
do outro lado da mesa:
- meu senhor, por gentileza,
o senhor tem brilhantina?
ele diz com voz ferina:
- aqui na mala ainda tem
mas eu não vendo a ninguém
depois que a feira termina
um jumento estropiado,
magro que só a desgraça,
quando vê que a feira passa
vai pra frente do mercado
o endereço ao danado
eu não sei quem diabo ensina
eu só sei que baixa a crina
entre as cinco e as cinco e meia
lancha, almoço, janta e ceia
depois que a feira termina.
VERSOS DE JOSA RABELO
Temas: MÃE
Homenagem às Mães
Mãe presença Divinal
Na família o alicerce
Toda Mãe boa merece
Tudo de bom, nada de mal
No seu Amor Maternal
Possui grande coração
Não existe dimensão
Nem trena pra ser medida
É a melhor coisa da vida
Mãe não tem comparação
Ela passa aflição
Quando a gente tá doente
Fica pertinho da gente
Faz reza, faz oração,
Prepara medicação
Tráz biscoito e papa quente
E sorrindo de contente
Devido aos esforços seus
Fica agradecendo a Deus
Por não nos ver mais doente
Quando mãe chega se sente
Mais brilho no firmamento
Dá o primeiro alimento
No nascimento d’agente
Ela está sempre presente
Em qualquer situação
Se estou certo ou sem razão
Ou mesmo um condenado
Ela fica do meu lado
Nem que custe a salvação
Agradeço de coração
O que Deus já tem me dado
Ter minha Mãe do meu lado
Em qualquer situação
É grande a minha emoção
Esta homenagem prestar
A todas quero abraçar
Mães puras de boas almas
A todas eu peço palmas
VIVA AS MÃES DESTE LUGAR!
de Josemar Rabêlo de Vasconcelos
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