JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

sábado, 11 de maio de 2013

ÀS MÃES QUE JÁ SE FORAM!!!


TODOS OS DIAS

TODOS OS DIAS, VOCÊ É LEMBRADA
MAS, HÁ AQUELES QUE A SAUDADE APERTA
E A GENTE FICA SEM ENTEDER NADA
O PEITO SANGRA QUAL FERIDA ABERTA

TODOS OS DIAS, VOCÊ NOS DESPERTA
MESMO DISTANTE, MESMO ASSIM CALADA
PARA OS TROPEÇOS DESTA ESTRADA INCERTA
QUE EM SUA AUSÊNCIA NEM PARECE ESTRADA

TODOS OS DIAS, ATRAVÉS DA FÉ
NÓS CONSEGUIMOS PROSSEGUIR DE PÉ
SEGUINDO A TRILHA QUE VOCÊ DEIXOU

TODOS OS DIAS,SORRINDO OU CHORANDO
TENHA CERTEZA QUE ESTAMOS TENTANDO
FAZER DO JEITO QUE VOCÊ MANDOU
(DEDÉ MONTEIRO)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

6º FESTIVAL DE VIOLA EM SÃO PAULO


VEJO  O TREM DA SAUDADE ME LEVANDO
AO LUGAR QUE NASCI E FUI CRIADO
(JOÃO PARAIBANO)

 6º FESTIVAL DE VIOLA EM SÃO PAULO

Lembro a casa que foi minha morada
Que já tem rachaduras no reboco
A biqueira tocando um baião moco
N’uma lata da boca enferrujada
Uma cabra sem peia outra piada
Qu’eu tangia de casa pra o roçado
Com um peito vazando em cada lado
Um cabrito deitado outro mamando
VEJO  O TREM DA SAUDADE ME LEVANDO
AO LUGAR QUE NASCI E FUI CRIADO

Não esqueço o cupim na linha torta
De uma casa que eu fui nascido nela
Uma lata de flores na janela
Minha irmã aguando a flor da horta
Um cachorro azunhando os pés da porta
Uma pasta de lodo no telhado
Um quintal  um varal atravessado
Com um pano estendido balançando
VEJO  O TREM DA SAUDADE ME LEVANDO
AO LUGAR QUE NASCI E FUI CRIADO

Lembro o gato correndo pela bica
Procurando onde um rato se escondia
Mãe lavando uma rede qu’eu dormia
Com sabão e semente de oiticica
Nossa mesa enfeitada de canjica
De pamonha, de bolo e milho assado.
Cuscuz quente com leite esturricado
E a tigela de barro fumaçando
VEJO  O TREM DA SAUDADE ME LEVANDO
AO LUGAR QUE NASCI E FUI CRIADO

Não esqueço os invernos de janeiro
Que passei no sertão da minha terra
O trovão abalando o pé da serra
Quando o vento rasgava o nevoeiro
Tanajura caindo no terreiro
Muitas flores se abrindo pelo prado
Um açude sangrando, um rio de nado
Pai cavando na roça e mãe plantando
VEJO  O TREM DA SAUDADE ME LEVANDO
AO LUGAR QUE NASCI E FUI CRIADO


 Não esqueço o café com tapioca
Tripa assada na cuia de farinha
Mel de engenho com água de quartinha
Um pirão de farinha de mandioca
Lembro a minha espingarda soca- soca
Carregada com chumbo envenenado
Qu’eu usei nas matanças de viado
Hoje tem, mas ninguém estando “matando”
VEJO  O TREM DA SAUDADE ME LEVANDO
AO LUGAR QUE NASCI E FUI CRIADO

MORO AQUI EM SÃO PAULO E NÃO CONSIGO
ESQUECER OS COSTUMES DO SERTÃO

(ZÉ VIOLA)

6º FESTIVAL DE VIOLA EM SÃO PAULO

Um cachorro ladrando no terreiro
Dois capotes correndo no quintal
Uma vaca parida no curral
Uma cabra berrando o chiqueiro
Dois, três galos cantando num puleiro
Uma rede com linha de algodão
Viajar do meu chão foi ilusão
Viver longe demais é um castigo
MORO AQUI EM SÃO PAULO E NÃO CONSIGO
ESQUECER OS COSTUMES DO SERTÃO

Sou do tempo do cocho e da gamela
E um forró numa sala de reboco
Amarrei “mão” de burro em pé de toco
Fiz porteira, fiz cerca e fiz cancela.
Fiz perneira, fiz peia e já fiz sela
Caprichei nas costuras do gibão
Trago o cheiro da sola em minha mão
Faço é rir de quem diz qu’eu sou antigo
MORO AQUI EM SÃO PAULO E NÃO CONSIGO
ESQUECER OS COSTUMES DO SERTÃO

Não consigo esquecer do meu roçado
A enchente da altura da barreira
Uma boi manso da altura da porteira
O soqueiro da altura do cercado
O capim da altura do arado
O joelho da altura do feijão
O chapéu da altura do pendão
E o milho da altura do umbigo
MORO AQUI EM SÃO PAULO E NÃO CONSIGO
ESQUECER OS COSTUMES DO SERTÃO

Vaquejada de fama é o meu trecho
Repentista que canta sem marmota
Rapadura de cana piojota
Que só quebra quem tem força no queixo
Eu não sei o d’acho é Remelexo
Se Eu Te Pego pra mim num presta não
Pocotó, É o Tcham e Batidão
Essas coisas de louco eu não me ligo
MORO AQUI EM SÃO PAULO E NÃO CONSIGO
ESQUECER OS COSTUMES DO SERTÃO

sexta-feira, 3 de maio de 2013

MEU QUERIDO PAJEÚ!!!


Esse chôro de saudade....
nos alivia e acalma....
é a agua da lembrança......
lavando o rosto da alma
                                      (Fátima Marcolino)


...Poeta  e compadre Vanja Rodrigues fez:


MOTRE: RICARDO MOURA
GLOSAS: VANJA RODRIGUES


Encontrei minha espora enferrujada
Meu primeiro peão de goiabeira
Uma mão de pilão de aroeira
Pelo tempo bastante maltratada
Minha calça coringa desbotada
Retratando o desprezo que lhe dei
E uma cama batente que deitei
O cupim já comeu mais da metade
Encontrei uns pedaços de saudade
No monturo da casa que morei

Vi também uma velha carrapeta
E uns pedaços de um caco de assar bolo
Uma fita vermelha num consolo
E uma mesa pequena de gaveta
Vi a copa do meu chapéu baeta
E recordo das vezes que usei
Cabisbaixo ao passado perguntei:
Porque foi que me fez tanta maldade?
Encontrei uns pedaços de saudade
No monturo da casa que morei

Lá eu vi um cambito de pereiro
Um facão, um serrote e um machado
E um par de burrinca enterrado
La de baixo de um pé de juazeiro
O meu nome numa galha de umbuzeiro
Que eu mesmo escrevi, mas não datei
Duas bandas de um prato que quebrei
Quando tinha seis anos de idade
Encontrei uns pedaços de saudade
No monturo da casa que morei 



O poeta Aldo Neves disse:

O sol se esconde por trás da Serra
A água faz cócegas lavando a cascata
Os pássaros se acordam pra cantar na mata
No curral, sofrido um cabrito berra
Sou a mão da paz impedindo a guera
Travando um gatilho que quer disparar
Sou um repentista à luz do luar
Resgantando estrelas que a noite escondeu
E no palco das rimas quem brilha sou
Nos dez de galope da beira do mar


"O lago do olho abreja
Depois que o pranto invade
Na cadeia do destino
A ferrugem estraga a grade
Eu nunca encontrei doutor
Que cura a dor da saudade"


A BAFAGEM DO TEMPO ANUNCIOU
A CHEGADO DO INVERNO NO SERTÃO

MOTE: Josa Rabêlo
GLOSAS: ALDO NEVES E DIÓ DE SANTO IZIDRO

ALDO NEVES

Quando a seca castiga lentamente
No oitão de uma casa uma vaca berra
Uma nuvem sem chuva cobre a terra
Um relãmpago não brilha no nascente
Um cachorro bem magro range o dente
Se coçando do lado do oitão
E no baixio, um restante de cambão
Que a pancada do vento derrubou
A bafagem do tempo anunciou
A chegado do inverno sertão

DIÓ

O inverno aproxima até demais
Observo o fenômeno demonstrado
É por isso que eu tenho observado
Tudo aquilo que a natureza faz
Na cantiga dos próprios animais
Que a gente escuta essa canção
O profeta d'agente é o Carão
Não precisa de orquestra mas faz show
A bafagem do tempo anunciou
A chegado do inverno sertão

ALDO NEVES

Falta pasto pra os velhos animais
Não tem milho, batata, nem boneca
O açude com água logo seca
E a coruja cantando nos frechais
Sertanejo dá adeus pra nunca mais
Vai-se embora pra outra região
E entre as fendas de um velho cacimbão
uma jia chorando faz um show
A bafagem do tempo anunciou
A chegado do inverno sertão

DIÓ

É bonito demais observar
A cantiga dos pássaros que contente
Canta mais de uma música realmente
Quem entende não cansa de olhar
Animais não precisa estudar
Pra natura faz advinhação
Mãe retira uma cinza do fogão
E a galinha deitada se espojou
A bafagem do tempo anunciou
A chegado do inverno sertão

ALDO NEVES

Canta um sapo na lama de um barreiro
E um sereno não molha um pé de planta
Um vaqueiro contente se levanta
E vê-se um porco chiando no chiqueiro
Fica triste o semblante do vaqueiro 
Sem motivos não veste o seu gibão
Deus calou a corneta do carão
E hoje em dia a cigarra é quem dá show
A bafagem do tempo anunciou
A chegado do inverno sertão

ALDO NEVES

O coqueiro não vejo botar cacho
Canta um pássaro na triste madrugada
E a gambá não faz mais sua morada
Na barreira tristonha de um riacho
Vejo a crise levando mundo àbaixo
Tudo bom dessa nossa região
E nosso verde diante à seguidão
Com a crise dos anos já murchou
A bafagem do tempo anunciou
A chegado do inverno sertão

QUEM FOR POETA FAÇA UM VERSO...



Quem mata um pássaro no ninho 

Que canta sem ganhar palma 

Com dez ou quinze minutos

Quando for pensar com calma
 
Escuta a voz dos filhotes
 
Piando dentro da alma
(Moacir Laurentino)


Choveu no sertão e a rolinha já fez seu ninho! Eita coisa boa!

Maravilhoso começar o dia com esse registro incrível do fotógrafo Januário Lima, no sítio Floresta - Alto Santo,CE.


Aquela rolinha do meu sombrião
sem o seu ninho, seu primeiro leito
já cantou tanto que feriu o peito
sem saber dos filhos, o lugar que estão.


Percorre, às vezes toda vastidão
volta de novo a reparar direito
de galho em galho, a espreitar com jeito
procura ainda, mas procura em vão.


Assim a pobre e infeliz rolinha
levando as horas a gemer sozinha
eriça as penas, depois as sacode.


Ela não chora porque não tem pranto
se ela tivesse choraria tanto...
mas sem ter pranto quer chorar não pode.

(CANCÃO)

MAIORIDADE PENAL


Foto

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A QUEM INTERESSAR POSSA

É que a gente, por ser gente, precisa de colo, de quem sonhe junto e acalme os vendavais da alma. As vezes o corpo grita e alma cala, justamente por essa falta de gente que nos reduz tanto a mecânica da vida.
Sonhar sem alguém é triste, tem que haver aquela hora do dia que entre um aborrecimento e outro você se encontre sorrindo por lembrar que existe um alguém qualquer e que te faz qualquer também, qualquer pedaço de sonho, qualquer pedaço de cheiro e qualquer pedaço de amor que te complete por dentro. Que quando se ama os pedaços dos outros se tornam o todo da gente e se multiplicam até gerar pedaços de dois em um só.
A falta é pior que a necessidade. Na necessidade a gente se contenta justamente com o necessário, com o suficiente, mas na falta, a gente procura exatamente aquilo que sobrepõe a necessidade. É como a fome, você com fome, qualquer cardápio te deixa com apetite, é a lei do necessário. Na falta, a gente procura o que satisfaz, o que te enche os olhos e a boca, na falta a gente compreende que vivemos em estado de necessidade e justamente pela compreensão (necessária) somos jogados a falta que tanto tortura.
Torturante é chegar em casa e ouvir o oco do ego sozinho, é deitar cedo e passar a agenda do celular procurando um número pra dizer somente como foi o dia, é conseguir gabaritar aquela prova e não ter pra quem contar, é chegar aos sábados e ficar procurando delivery de pizza e sempre optar pela pequena, justamente pela falta de companhia.
Com o tempo a solidão vai se adaptando a você mas você não se adapta a ela. E essa falta de reciprocidade abala cruelmente qualquer um.
Eu ainda imagino que qualquer hora ou outra que eu estiver caminhando a tarde irei bater de cara com alguém que supra não o necessário, mas o que se sobrepõe a ele. E é justamente nessa necessidade que eu fundamento a minha falta.
Eu sinto falta desse qualquer aí como se estivessem arrancado um dente da frente que eu poderei até colocar uma prótese mas por necessidade estética, que facilmente será retirada, basta querer. A falta do dente ninguém supre.
Não quero mais o necessário, a opção imediata ou te que aceitar um convite pra sair e olhar pra minha amiga justificando que é melhor do que ficar em casa, eu quero algo que me faça gostar de ficar em casa, e sem justificar o gostar...
Quando eu ouvi pela primeira vez na ''legião urbana'' (literalmente) que a solidão seria o mal do século eu talvez não tivesse idade suficiente pra aceitar tanto tanta verdade, aí terminei por atestar a veracidade da máxima e me tornar reflexo dela.
Que não procuremos opções em agendas como quem senta a mesa de um bar e escolhe uma bebida, que não aceitemos convites por pura necessidade de não ficar em casa, mas que busquemos em nós e na vida além do necessário.
Quando você precisar de pressa pra escolher o vestido certo e a maquiagem que combine sem precisar se auto justificar pela saída e antes de querer ligar pra contar do dia receba a ligação perguntando, quando a sua única dúvida seja o sabor da pizza do final de semana e você sempre termine cedendo pelo canal de tv, terá justamente alcançado além da necessidade... Eu, ando procurando sabe? é que essa selva de gente que meus sonhos me jogaram dentro é tudo muito na lei do necessário e eu ando por aí procurando gente que sinta falta e não necessidade...

segunda-feira, 29 de abril de 2013

POETA BRÁS IVAN

  • Caro Josa, Que Deus te encha de força e fè neste momento de dor. Eu daqui te acompanho com minhas oraçoes. Paz pra ti e tua familia.
  • 29 de janeiro
  • Brás Ivan Costa Santos
    Foi um talho profundo em reta linha
    Uma dor forte assim talvez não haja
    O remédio alivia mas não saja
    A ferida que tem na alma minha
    Com Danilo entre nós a vida tinha
    Os tons vivos de tela colorida
    Mas, agora só tem essa ferida
    E a dor da saudade do menino.
    "A NAVALHA AFIADA DO DESTINO
    DEU UM CORTE CRUEL NA MINHA VIDA."

    NOTE: JOSA RABELO
    GLOSA: Brás.
  • 31 de janeiro
  •  
    Brás Ivan Costa Santos
    E Deus se compadecendo
    Vendo seu povo sofrer
    Manda seu sol se esconder
    Vê-se o céu escurecendo
    Vem uma nuvem chovendo
    Da comporta da usina
    Deus manda abrir a turbina
    Que a seca tinha fechado
    Pro sertão ficar molhado
     

    DEPOIS QUE A SECA TERMINA.
    Do sertão para o agreste
    Dum tecido colorido
    A chuva tece um vestido
    E o corpo da terra veste
    No céu um arco celeste
    Fica enfeitando a cortina
    Feita de véu e neblina
    Que Deus quis dá de presente
    Pra janela do poente
     

    DEPOIS QUE A SECA TERMINA.
    A água tange o basculho
    No manso leito do rio
    Que se encontrava vazio
    Desde meiados de julho
    Da mata vem o barulho
    Do canto da sururina
    Que não canta a trsite sina
    De uma ave viúva
    Mas, canta louvando a chuva
     

    DEPOIS QUE A SECA TERMINA.
    A telha deixa que molhe
    A linha, o caibro e a ripa
    O "empresário" do pipa
    Os carros pipas recolhe
    O gado faminto escolhe
    O que comer na campina
    Nem sequer olha pra tina
    Onde só comia palma
    O sertão muda de alma
    DEPOIS QUE A SECA TERMINA.
     

    A água corre barrenta
    Pelos cantos do terreiro
    E a copa do marmeleiro
    Um verde brilhante ostenta
    No nascente se apresenta
    Uma torre pequenina
    A chuva começa fina
    Mas, aos pouquinhos engrossa
    Começa a festa na roça
    DEPOIS QUE A SECA TERMINA.
    Brás.
  • Domingo
  • Brás Ivan Costa Santos
    Eita meu bom Pajeu
    Este teu poeta ingrato
    Ta com saudade do mato
    Onde correu seminu
    Ta lembrado do angu
    De milho novo e canela
    Do rangido da cancela
    Do tempo da mocidade.
    Ja sentiu tanta saudade
    Que se acostumou com ela.

    Brás

domingo, 28 de abril de 2013

POETAS DA SEMANA





Os jovens poetas cantadores Raimundo Nonato e Nonato Costa (Os Nonatos)


A dupla Raimundo Nonato e Nonato Costa trabalhando o mote


Você pode pedir preu me afastar  
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.


Você pode habitar em outro ninho
E visitar ambientes que eu não vou  
Trabalhar, viajar, assistir show  
Sem que eu seja uma sombra em seu caminho
Se negar a aceitar o meu carinho  
Não sentir mais saudade de me ver  
Só não pode é no intimo do meu ser
Passar uma borracha e apagar  
Você pode pedir preu me afastar  
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.


Só restaram do amor que foi desfeito  
Os melhores momentos dessa história  
As lembranças do vídeo da memória
E as promessas no cofre do meu peito  
Aceitar que perdi, eu não aceito
Mas estou consciente de não ter  
Nunca mais o direito de poder  
Pelo menos na boca lhe beijar  
Você pode pedir preu me afastar  
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.


Você tem o direito de exigir  
Que eu me afaste de vez da sua vida  
Que não sente mais falta na dormida
Que não tem mais lembrança de sair  
Mas você nem ninguém pode impedir  
Que eu escute isso tudo sem sofrer  
E se me ver gargalhando pode crer  
Que por dentro eu não paro de chorar  
Você pode pedir preu me afastar  
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.


Porque sua beleza não é pouca  
Não existe uma réplica nem seu clone  
E sua voz de CD no telefone
Inda deixa minh’alma quase louca  
Se outro homem beijar a sua boca  
E num abraço apertado lhe prender  
Se eu chegar a ver isso e não morrer  
Pelo menos em coma eu vou ficar  
Você pode pedir preu me afastar  
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.


Por mais vezes que eu lute e que ele tente  
Me recuso a ouvir certos boatos  
É inútil eu rasgar os seus retratos  
Se você tá inteira em minha mente  
Já liguei pro trabalho estava ausente  
E onde estava negaram a me dizer  
No de casa não quer mais me atender  
Mas eu tô rastreando o celular  
Você pode pedir preu me afastar  
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.


Fiz diversas consultas no INCOR  
Pra saber o que eu tinha de verdade  
O eletro acusou que era saudade  
E se você não voltar fica pior  
Vou mandar escrever num outdoor  
Uma declaração pra você ler  
Tenho tanta paixão que pra caber
Só se meu coração virasse um mar  
Você pode pedir preu me afastar  
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.


Certamente adorá-la foi meu crime  
Nem por isso eu estou arrependido  
Você pode dizer que tem marido  
Que tem filho e não quer que eu me aproxime
Não existe outra pele mais sublime  
E outro cheiro melhor não pode haver  
Seu amor não é coisa de comer  
Mas eu fico sem fome se provar  
Você pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.Inda tenho comigo seu cartão  

Telefone, endereço, carta e foto  
Lhe dei todo meu tempo e hoje noto  
Que não tenho um minuto de atenção
Mergulhado no cais da solidão  
Sem nenhuma noticia receber  
Prometi pra mim mesmo não querer  
Nunca mais por ninguém me apaixonar  
Você pode pedir preu me afastar  
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

* * *


 
AS SECAS – Vinícius Gregório


É a seca matando nosso gado  
E o governo a achar tudo normal…  
Pois preferem falar em copa, em festa.
Isso aí dá mais voto, é mais legal.  
E essas secas se encaixam feito luva:  
Pois se vê no Sertão seca de chuva,  
Nos políticos a seca de moral.


Cada esfera que culpe a outra esfera  
O prefeito que diz que nada fez,
Pois o líder do estado é quem devia…  
Esse aí, pra fugir, por sua vez,  
Joga a culpa no líder da nação,
Entretanto nos tempos de eleição  
Vêm os três pedir votos para os três.


E o pior é o silêncio que faz eco,  
Maquiando a real situação.  
Quando a chuva voltar, vejo os discursos:  
“Pronto, gente, não há mais sequidão,
Nesta seca tomamos as medidas  
E por isso salvamos muitas vidas…”
Quem quiser que acredite, mas eu não.


Vamos, gente, se movam, falem, gritem,  
Cobrem mais dos políticos deste chão…  
Ou preferem ver cenas como esta  
Cada vez que vier novo verão?  
Não se curvem pra vil politicagem,  
Pois quem é deste chão, sem ter coragem,  
Não merece ser filho do Sertão!

* * *


A SECA E A MÁ VONTADE POLÍTICA – Henrique Brandão


O acalanto maior Pro coração sertanejo  
É ver riacho em enchente  
Da bica ouvir o gotejo  
Porém quando a chuva atrasa  
Deixa o sertão feito brasa  
Queimando a alma da gente   
Deixa a paisagem cinzenta
E a bicharada sedenta  
Deitada no solo quente.


Nossa terra infelizmente  
Sofre com a má vontade  
De uma corja que castiga
Sem dó e sem piedade  
Mas nosso povo com isso  
Que nunca foi submisso  
Segue de cabeça erguida  
Rezando e olhando pro céu  
Pois quem tem deus é fiel  
E nem seca atrasa sua vida.


Não é por causa da seca  
Que o povo sofre e lamenta  
No ano seco ele sofre  
Mas por ser forte ele aguenta  
O que deixa indignado  
É ver o povo cansado  
De mentira e de promessa  
Ser for pra ajudar, que venha  
Se não, bem longe mantenha
Pois que tem fome, tem pressa.


Enquanto gastam milhões  
Sem lembrar do sertanejo  
Metem a cara na tv  
Pra oferecer sobejos  
Isso não é arrogância  
Mas quem vive na abundância
Nosso sertão tudo tem  
Não se anima com conversa  
Pois nem queremos promessa  
Nem esmola de ninguém.


Se a seca é realidade  
Mude logo o pensamento  
Irrigue esse solo fértil  
Pra produzir alimento  
Não deixe um povo feliz  
Que construiu o país  
Sofrer neste desatino  
Pois mesmo com a estiagem  
Não tem mais linda paisagem  
Que a do solo nordestino.


João Paraibano glosando o mote:

Sinto a nossa esperança se queimando  
Nas fogueiras da seca nordestina.


Não escuto um trovão estremecer  
Uma nuvem no céu ninguém enxerga  
A lavoura sedenta se enverga  
Procurando o chão seco pra morrer  
Na pequena cacimba de beber  
Você cava uma veia ela não mina  
Você olha pra os seios da campina  
Só tem foco de incêndio levantando  
Sinto a nossa esperança se queimando  
Nas fogueiras da seca nordestina.


* * *

Léo Medeiros glosando o mote:

Quem quiser ter saudade do meu tanto  
Sofra e ame do tanto que eu amei.

Pra falar de saudade eu me proponho  
Relatar nesses versos o que eu sinto  
Vivo preso num grande labirinto  
A saída eu não acho nem em sonho;
E quem vê o meu rosto assim tristonho  
Facilmente já sabe o que eu penei  
No castelo do amor, eu fui um rei  
Que não soube enganar a dor do pranto  
Quem quiser ter saudade do meu tanto  
Sofra e ame do tanto que eu amei.


Dos seus braços eu vivo tão distante  
Encontrá-la, não tenho esperança  
Mas transporto tão viva na lembrança  
Não esqueço seu rosto um só instante;  
Pois a cruz que carrego é cruciante  
Pouca gente suporta o que eu passei  
Eu não sei se a outra eu amarei  
Mas arrisco amar, isso eu garanto  
Quem quiser ter saudade do meu tanto  
Sofra e ame do tanto que eu amei.

* * *

Zé Adalberto glosando o mote:

Pra que tanta riqueza se a pessoa
Nada leva daqui pra sepultura?


Muitas vezes, sozinho, eu me pergunto:  
Pra que tanta riqueza, se depois  
Que o caixão encostar e couber dois,  
O amigo melhor não quer ir junto?  
Pra que cara fragrância, se o defunto  
Não exige perfume da “natura”?  
Mesmo a alma é cheirosa quando é pura,  
Mas o cheiro do corpo ainda enjoa.  
Pra que tanta riqueza, se a pessoa  
Nada leva daqui pra sepultura?


Pra que casa cercada por muralha,  
Se a cova é cercada pelo pranto?  
Se pra Deus todos têm do mesmo tanto,  
Tanto faz a fortuna ou a migalha.  
Pra que roupa de marca se a mortalha  
Não requer estilista na costura,  
Se o cadáver que a veste não procura  
Nem saber se a costura ficou boa?  
Pra que tanta riqueza, se a pessoa  
Nada leva daqui pra sepultura?


Pra que eu me esconder detrás de um pão,  
Se a miséria não bate em minha porta?  
Pra que eu me cansar regando horta,  
Se amanhã ou depois já é verão?  
Pra que eu confiar no coração,  
Sem saber quanto tempo a vida dura?  
Se as feridas da alma não têm cura,  
Quando é a ganância que as magoa?
Pra que tanta riqueza, se a pessoa  
Nada leva daqui pra sepultura?


Não sou dono de ônibus nem de trem,  
Mas enquanto eu puder me locomovo.  
Pra que eu invejar um carro novo,  
Se o transporte final nem rodas tem?  
Nem me avisa dizendo quando vem,  
Mas só anda na minha captura  
E bem abaixo da sua cobertura,  
Ele tem quatro asas, mas não voa.  
Pra que tanta riqueza, se a pessoa  
Nada leva daqui pra sepultura?


Pra que eu toda hora dar balanço  
No que eu tenho ou andar atrás de bingo?  
Pra que tanta hora extra no domingo,  
Se Deus fez esse dia pro descanso?  
Pra que eu trabalhar feito um boi manso,  
Se a chibata do dono me tortura?  
Pra que eu reclamar de minha altura,
Se o que a mão não alcança, Deus me doa?  
Pra que tanta riqueza, se a pessoa  
Nada leva daqui pra sepultura?

* * *

Zé Limeira glosando o mote:

Quando mais carinho eu faço,  
Mais recebo ingratidão!

Eu tinha uma cabra preta  
Que quando tava de azeite,  
Dava dez litros de leite,  
Se chamava borboleta…  
Soltei minha carrapeta  
De guarda-peito e gibão,  
O jegue de Damião  
Mordeu a porda de Inaço,  
Quando mais carinho eu faço,  
Mais recebo ingratidão!
 
* * *

Moacir Laurentino glosando o mote:

A escola da vida ensina mais  
Do que grupo, cursinho e faculdade.

Para o homem que tem inteligência  
Cada dia que passa é uma escola  
Pra mim que só uso essa viola  
Por sinal de improviso e competência  
Basta ler da Divina Providência  
A altura da grande imensidade  
As estrelas de branda claridade  
Por entre raios que são cor de cristais  
A escola da vida ensina mais  
Do que grupo, cursinho e faculdade.

* * *

Clecio Rimas glosando o mote:


Quem tem mulher ciumenta  
Tem o cão pra lhe atentar.


Mulher ciumenta é o cão  
Eu mesmo já tive uma  
Parece o cão que fuma  
Traga igualmente  um dragão  
Já passei situação  
Que não quero mais passar  
Dá medo só de pensar  
Pois isso ninguém aguenta  
Quem tem mulher ciumenta  
Tem o cão pra lhe atentar.