JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

domingo, 13 de outubro de 2013

FILME DA SEMANA

SINOPSE:

David Norris (Matt Damon) é um jovem político com uma carreira promissora, mas um escândalo atrapalhou a sua corrida ao Senado. Tão logo perde a disputa pela vaga ele conhece Elise (Emily Blunt), bailarina por quem se apaixona. Contudo, homens com estranhos poderes de interferir no futuro aparecem do nada e começam a pressioná-lo para que ele não dê continuidade a este romance, porque isso poderá atrapalhar o futuro de ambos. Sem saber ao certo quem são essas pessoas, a única certeza que David possui é que precisará reunir forças para enfrentá-los e encarar o que o destino lhe reserva.

POETA DA SEMANA

 

Jonas Bezerra

NASCEU EM 17 DE FEVEREIRO DE 1987 EM IGUATU-CE, É DE UMA FAMÍLIA DE TRADIÇÃO POÉTICA, COMO POR EXEMPLO SEU PAI(CHICO ALVES) REPENTISTA PROFISSIONAL HÁ 30 ANOS, AINDA EM ATIVIDADE.
JONAS BEZERRA COMEÇOU A CANTAR PROFISSIONALMENTE AOS 15 ANOS DE IDADE.
JÁ PARTICIPOU DE MAIS DE 150 FESTIVAIS DE REPENTISTAS EM TODO BRASIL, DISPUTANDO COM AS MAIORES EXPRESSÕES DA CULTURA POPULAR DO GÊNERO, SENDO CONSAGRADO AO PRIMEIRO LUGAR EM MUITOS FESTIVAIS.

Amigo
(Soneto)

Quer ser meu amigo? Eu estou aqui!
Pois, não quero mais vê-lo tão ausente.
Se alguma coisa o fez diferente,
Com a sua ausência, muito eu aprendi.

Fiquei flexível e por ser consciente
Procuro saber em que lhe agredi.
Me desculpe amigo, se eu lhe feri
Me perdoe se um dia eu fui prepotente.

Não deixe que a ira domine o seu ego
Gerando inimigo e o tornando cego
Por que quem vê cara não vê coração.

Faça um retrospecto do que fiz contigo
Tendo culpa ou não pra ser seu amigo
Eu mais uma vez lhe peço perdão.


Autoria: Jonas Bezerra



Eu sou rico e pobre
(Soneto)

Na riqueza vivo sendo um egoísta
Usando o poder para atrocidade
Não sou a favor que haja igualdade
Por que sigo a lógica de um capitalista.

Na pobreza mudo, faço caridade,
Sou simples, sou meigo, brando e paisagista.
Acredito que, outra vida exista
Cultivando os frutos da felicidade.

Eu sou mais ser pobre, que sofre e partilha,
Do que ter riqueza, fazendo quadrilha,
Enganando o povo e se mostrando nobre.

Perante isso tudo, há uma certeza:
_Eu sou muito pobre para ter riqueza,
Mas sou muito rico por que nasci pobre.

Autoria: Jonas Bezerra



Separação
(Soneto)

Vou sentir com certeza sua falta,
Vou lembrar de você constantemente.
O meu ser pra vingança não exalta,
Nem eu vou me obrigar ser diferente.

O seu gênio e o meu têm força alta
Só não sei lhe dizer o mais valente.
Eu só sei que me peito ainda salta
Quando vejo você na minha frente.

Me desculpe se fui ignorante,
Insensível, disperso, intolerante
Como um louco num beco sem saída.

Caso nada aconteça entre nós dois,
Peço a Deus, e espero que depois
Eu encontre você feliz da vida.

Autoria: Jonas Bezerra



Poeta mostre o minério
Da sua filosofia
(Mote em sete sílabas)

Poeta diga se os lábios
Declaram força emotiva
Se a nossa memória arquiva
Do jeito dos alfarrábios
Se a cabeça dos sábios
Possuem outra sintonia
E se serve a democracia
Num país que não é sério
Poeta mostre o minério
da sua filosofia.

Se a parede do progresso
Pode ter desabamento
Se o arrependimento
Dá lugar ao retrocesso
Se a BR do sucesso
Parece uma rodovia
E se a algema da magia
Prende quem tá no mistério
Poeta mostre o minério
da sua filosofia.

Se o sol do desconsolado
Conduz no seu raio as dores
Se o trono dos opressores
Está desapreciado
Se o corpo do pecado
Também tem fisionomia
E se o tom da melancolia
Dá mais vida ao impropério
Poeta mostre o minério
da sua filosofia.

Poeta cante a canção
Que libera o sentimento
E diga se há ligamento
Da mente pra o coração
Se os poros da traição
Sofrem de hemorragia
Se a sensação da orgia
É a mesma do adultério
Poeta mostre o minério
da sua filosofia

Autoria: Jonas Bezerra


Versos diversos:

Falando da vida Edvaldo Zuzu disse:

Agora eu nem sei dizer
Quem são os meus inimigos

Jonas Bezerra disse:

Chorei vendo dois mendigos
Na calçada de uma escola
Um por me pedir um pão
Estirando uma sacola
E o outro por que não tinha
Nem mão pra pedir esmola.


Falando da escravidão Charles Gomes disse:

A Europa escravizou
O povo da pele escura.

Jonas Bezerra disse:

Naquela época a tortura
Causava muitos receios
E a África bebeu o leite
Que pingou dos peitos cheios
Dizendo: _ Por qual motivo
Roubaste os filhos alheios?


Cantando com Ismael Pereira em Lavras da Mangabeira pediram o seguinte Mote:

Só faltava um palhaço no congresso
Tiririca chegou não falta mais

Jonas Bezerra disse:

A campanha que fez inda fascina
Por que fez com humor e esperança
Ou vai ser o começo da mudança
Ou vai ser o princípio da ruína
Quem cantou Florentina, Florentina
Eu vou ver no congresso o que é que faz
Um protesto na urna é eficaz
Mas assim não se faz ordem e progresso
Só faltava um palhaço no congresso
Tiririca chegou não falta mais

Caras novas fazendo mais estréias
Quero ver o congresso como fica
Foi Francisco Everardo “o Tiririca”
Que ganhou da maneira de Enéas.
Mas o homem que falho nas idéias
Não consegue implantar seus ideais
E quem sugar nas mamatas federais
Nunca mais vai vender nenhum ingresso
Só faltava um palhaço no congresso
Tiririca chegou não falta mais.

Cantando com Raullino Silva em Natal-RN, pediram o seguinte mote:

Pra quê tanta riqueza num país
Que não deixa de ser escravizado.

Jonas Bezerra disse:

Dois Brasis eu conheço atualmente
Um que vende barato a obra-prima
E um que é luxuoso e se anima
Com produtos de outro continente
Se nós temos produto, o que é da gente
Dá mais lucro jogando no mercado
Se o mercado não for balanceado
Vai sofrer muito mais os dois Brasis
Pra quê tanta riqueza num país
Que não deixa de ser escravizado.


Cantando com Luciano Leonel no Festival de Gravatá - PE, o mote sorteado foi o seguinte:

O mendigo é o ser que mais se humilha
E permanece esquecido pela massa

Jonas Bezerra disse:

Seu abrigo é a árvore quando enfolha
Por não ter quem lhe dê a mão amiga
A quentura da tarde lhe castiga
O sereno da noite vem e molha.
Quando vai pras esquinas ninguém olha
Quando vai pra os sinais ouve pirraça
E por achar que a esmola é pra cachaça
Não colocam o dinheiro na vasilha
O mendigo é o ser que mais se humilha
E permanece esquecido pela massa


Cantando com Acrízio de França em Cajazeiras-PB pediram o seguinte mote:

Eu ensino cantando a cantador
Que se cresce querendo me ensinar

Jonas Bezerra disse:

Se a Bíblia Sagrada tem as chaves...
Se MERIBE-BAAL não foi esperto
E Moisés com seu povo no deserto
Foi capaz de passar muitos conclaves!
De manhã a comida era a das aves
Já a noite era o fogo do altar
E logo após quatro décadas caminhar
Foi chamado pra terra do Senhor
Eu ensino cantando a cantador
Que se cresce querendo me ensinar.

FRASE DA SEMANA

" Amizade é igual estrada... por mais longe que esta uma da outra independente da distancia nunca se separam."
Ludmilla Ponomarenco

RECEITAS DA SEMANA

Receita de Vaca Atolada Mineira

Vaca Atolada Mineira

Ingredientes da Receita de Vaca Atolada Mineira

1 kg de costela de vaca
2 cebolas picadas
4 dentes de alho amassados
5 tomates descascados, picados sem sementes
1 colher (sopa) de vinagre
1 colher (chá) de salsinha picada
3 cebolinhas verdes picadas
1 cubinho de caldo de carne
2 colheres (sopa) de óleo
1 kg de mandioca descascada e cortada em pedaços

Como Fazer Vaca Atolada Mineira

Modo de Preparo:
Misture as costelas com a cebola e o alho.
Leve ao fogo com o óleo e frite até que dourem.
Junte os tomates, o vinagre, a salsinha, a cebolinha e o cubinho de caldo de carne.
Acrescente água suficiente para cobrir. Cozinhe.
Quando a carne estiver macia, adicione a mandioca e água suficiente para cozinhá-la.

Receita de Sopa Paraguaia

Sopa Paraguaia

Ingredientes da Receita de Sopa Paraguaia

06 colheres (sopa) de fubá de milho
02 ovos
01 copo de leite
02 colheres (sopa) de manteiga
01 prato de queijo ralado
01 colher (chá) de fermento em pó
02 cebolas grandes cortadas em rodelas

Como Fazer Sopa Paraguaia

Modo de Preparo:
Frite a cebola na manteiga, junte 1 xícara (chá) de água quente e deixe ferver.
Depois de bem frita, junte sal a gosto e misture os outros ingredientes, mexendo bem.
Coloque tudo em uma forma refratária e leve ao forno para assar.

domingo, 6 de outubro de 2013

POETA DA SEMANA


JOÃO FURIBA



Foto: Paulo Carvalho

Poeta popular, violeiro repentista, João Batista Bernardo, o João Furiba nasceu em 04/07/1931, em Taquaritinga do Norte–PE.
É considerado um dos grandes repentistas nordestinos, tendo iniciado a carreira ainda na adolescência. Já arrebatou inúmeros troféus, em competições entre violeiros, tendo ficado em primeiro lugar em diversas ocasiões. O apelido “Furiba” segundo ele, quer dizer coisa sem importância, e foi dado por Pinto do Monteiro inspirado na figura magra e de baixa estatura de João. Foi um dos maiores e mais constantes parceiros de Pinto do Monteiro, enquanto este era vivo, e tornaram -se também grandes amigos apesar das farpas trocadas durante os desafios. O primeiro encontro dos dois grandes poetas é descrito da seguinte maneira:
“Lino Pedra Azul (também cantador de renome) teria agendado uma cantoria com Pinto, em Belo Jardim, mas em função de outros compromissos surgidos, pediu ao então rapazote João Batista que o substituísse. Ansioso e receoso, João que só veio a ser conhecido como Furiba anos depois, aceitou. Chegou no local e perguntou:
JF -   É o senhor que é seu Pinto?
PM -  Sou.
JF -   É que Lino me pediu pra vir lhe substituir na Cantoria…
PM -  Não sei se vai ter cantoria, não… ( disse Pinto sem acreditar que estava diante de alguém que pudesse enfrenta-lo )
Os promotores da cantoria chegaram perto de Pinto imploraram que o Gênio cantasse com o desconhecido João Batista…
Iniciaram o baião de viola. Cada um esperando que o outro iniciasse a sextilha.

Começaram… Lá pras tantas, Pinto termina a sextilha dizendo:

“Não sei que tem vaca magra come muito e não engorda”

Era uma referencia ao aspecto franzino e raquítico do Furiba, que respondeu:

“É porque feijão de corda já ta passando de cem, o milho tá muito caro farinha cara também, se Jesus não pisar no frei. Não vai escapar ninguém”

Ao terminar a sextilha, Pinto disse:
- Depois “nós conversa”, viu?.

A partir daquele momento, iniciaram uma das duplas mais  fecundas da poética voleira…
João Furiba também fez dupla com outros cantadores sempre demonstrando sua agilidade e competência na feitura dos improvisos. Cantando com João Cardoso este fez com os seguintes versos:

Furiba fui informado Que você lá em Tabira Pega frete, dá recado Varre a rua mas se vira Agora eu quero saber Se isso é verdade ou mentira?

Furiba respondeu:

Colega eu fiz em Tabira O meu recenseamento Seis mil e quinhentas casas Um colégio e um convento Comprei agora o BANDEPE A CISAGRO e o FOMENTO.

O conhecido cantador Ivanildo Vila Nova, cujo pai também era repentista, cantando com João Furiba terminou uma estrofe, dizendo:

Não conheço cantador Pra ser igual a mim.

Furiba respondeu dizendo:

Seu pai também foi assim Se dizia professor Falava com tantos “s “ Que parecia um doutor Cantou quarenta e seis anos Morreu sem ser cantador.
E assim é João Furiba, alegre, irreverente, criativo, poeta popular simplesmente. É um daqueles que faz a mais autêntica cultura nordestina. Alberto Oliveira (poeta e cordelista) afirma que João Furiba é um dos maiores poetas da história do repente brasileiro. Zelito Nunes, foi quem me apresentou a este extraordinário artista a quem eu muito admiro e prezo.

Pinto do Monteiro e João Furiba

Do livro de Zelito Nunes, “Pinto velho do Monteiro – um cantador sem parelhas”, apesar de o livro ser todo bom, tem trechos que achei bastante engraçado e que retratam o espírito puro e criativo do povo sertanejo encarar a vida mesma quando a situação não é das melhores. Uma dessas diz respeito a uma visita que o cantador João Furiba foi fazer ao poeta Pinto do Monteiro.
Pinto já se encontrava doente e sem enxergar quando Furiba chegou na porta de sua casa e, saudando o poeta, disse:

“Há tempo em que eu não vinha
nesta santa moradia
visitar o velho Pinto
Me traz tanta alegria
Que é mesmo que ter tirado
O bolão da loteria”

Pinto com muito bom humor, disse:
 
“Eu não imaginaria
que você chegasse agora
Com essa sua presença
Obtive uma melhora
Quer ver eu ficar bom mesmo
É quando você for embora

FILME DA SEMANA

O SANTO

  O Santo

 Sinopse:

Um garoto órfão recusa o nome dado a ele por um sacerdote e resolve chamar a si mesmo de Simon Templar. Já adulto (Val Kilmer), ele se torna um conhecido ladrão internacional que é um mestre nos disfarces e que assume nomes associados a santos. Desta vez ela foi contratado por Ivan Tretiak (Rede Serbedzija), um magnata e mafioso russo, que quer que ele roube a formula de fusão a frio desenvolvida por Emma Russell (Elisabeth Shue), uma bela e jovem cientista inglesa. Teoricamente falando, a fusão a frio permite uma nação aquecer seus cidadãos com apenas alguns litros de água, e Tretiak espera se tornar dentro deste contexto o grande líder que a Rússia precisa. Quando Simon terminar este serviço terá 50 milhões de marcos em sua conta na Suíça e vai então se aposentar, mas o notório ladrão não contava que iria se apaixonar por Emma Russell.

FRASE DA SEMANA

“Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio.” (Alice Walker)

RECEITA DA SEMANA

Receita de Baião de Dois

Baião de Dois

Ingredientes da Receita de Baião de Dois

250g de charque
150g de toucinho fresco
2 1/2 xícaras de feijão mulatinho limpo, lavado e escorrido
1 cebola grande picada
2 dentes de alho amassados
1 1/2 xícara de arroz limpo, lavado e escorrido
1/2 xícara de leite de coco
Sal e pimenta do reino a gosto

Como Fazer Baião de Dois

Modo de Preparo:
De véspera, coloque o charque em uma tigela grande, cubra com água e deixe de molho até o dia seguinte, trocando a água 2 a 3 vezes para eliminar o excesso de sal.
Escorra, lave em água corrente e corte em cubos pequenos, corte também o toucinho em cubos pequenos.
Coloque o toucinho em um panela, frite em fogo alto até dourar, escorra a gordura e reserve.
Junte o feijão e o charque, cubra com 2 litros de água e cozinhe até o feijão ficar quase macio, juntando mais água quente, se for necessário.
Coloque 2 colheres (sopa) da gordura reservada em uma panela, aqueça em fogo alto, acrescente cebola, alho, doure levemente, junte o arroz, refogue mexendo sempre até ficar bem soltinho.
Tire do fogo, acrescente à panela com feijão, junte leite de coco, misture bem, tempere com sal e pimenta a gosto e cozinhe, até o arroz ficar macio.

domingo, 29 de setembro de 2013

FRASE DA SEMANA

"Estou sempre alegre. Essa é a melhor maneira de resolver os problemas da vida"
(Charles Chaplin)



POETA DA SEMANA

Eu consegui encontrar
Algo de bom na saudade:
É que escondido atrás dela
Existe sinceridade.
Só tem saudade no peito
Quem sente amor de verdade!
Poeta Vinícius Gregório


Minha droga é a Poesia

É como se a Poesia
Fosse a minha Nicotina,
Meu Ópio, minha Heroína,
Meu Êxtase em demasia...
Ela é quem me fantasia
E quem traça meus traçados.
Através dos meus rimados
Me liberto desse mundo
Pra cair num mar profundo
De Lindos Sonhos Dourados.

Sou viciado em Poesia,
Disso eu tenho consciência.
Chega a dar abstinência
Se ela me falta algum dia...
Pra voltar minha alegria,
Basta eu tomar outra “dose”.
Venha comigo, se entrose!
Prove da minha “Heroína”!
Pois, dessa “droga” divina,
Quero morrer de overdose.

Quem prova minha “bebida”,
Sente o gosto do Sertão
E escuta o som do trovão
Mesmo em terra ressequida.
Venha que eu te dou guarida!
Vamos viajar sem prumo,
Sem conseqüência, sem rumo...
Sem medo de ter cirrose.
Te encosta, toma outra “dose”
Dessa droga que eu consumo.

Mas se tu achas nocivo
Esse vício que me enlaça,
Então fuja da fumaça
Que o efeito é corrosivo.
Feito um fumante passivo,
Vais ter um vício profundo.
E, nesse mesmo segundo,
Se queres uma “tragada”,
Podes “tragar”, camarada,
Tem verso pra todo mundo!


Vinícius Gregório,Natural de São José do Egito que recebe o nome de berço da poesia,pois como Itapetim(ventre imortal da poesia) conhecida pela imensidão de Poetas que viveram e que vivem nestes recantos.

VINÍCIUS GREGÓRIO (Vinícius Gregório Nogueira Gomes)PDFImprimirE-mail
Vinícius Gregório Nogueira Gomes nasceu no dia 06 de maio de 1987 na cidade de São José do Egito / PE, é filho de Agostinho Lourenço Gomes Filho e de Irene Nogueira Morato Gomes. Reside no Recife desde 2002, onde cursa o último ano de Direito.

Começou a admirar a poesia popular por meio do seu pai, que freqüentemente declamava pra ele poesias de Cancão, Rogaciano Leite, Dedé Monteiro, entre outros.

Fez seus primeiros versos aos quatorze anos, já residindo no Recife e começou a fazer apresentações (declamações) aos 18 anos.  
De inspiração invejável, esse jovem e talentoso poeta é bastante requisitado para declamar as suas poesias e as de outros vates em diversos eventos poético-culturais.
Tem um cordel publicado de nome Fim de Festa e lançou - recentemente - o seu primeiro livro de poesias, intitulado Hereditariedade e tem um de seus trabalhos publicado na Antologia Poética - Retratos do Sertão, do poeta Marcos Passos.
Apresentação do livro Hereditariedade por Dedé Monteiro

Hereditariedade é a estréia oficial de um jovem grande Poeta, em quem até o duplo nome - Vinícius Gregório – tem tudo a ver com poesia: Vinícius de Morais, Gregório de Matos... e, para não precisar sair de casa: Gregório Filó. “Dê licença Pr’eu passar” é o primeiro poema deste seu primeiro trabalho. E é aí que eu me pego para dar início ao meu recado, como se estivéssemos conversando, no meu terraço ou no dele, a respeito desta sua realização há tanto tempo sonhada:

Querido Poeta,
“Dê licença pr’eu passar”
Não é coisa que se diga.
Nem Deus vai cortar-te os passos,
Pois até Ele se obriga,
Por ser simples como nós,
A escutar tua voz
E aplaudir tua “cantiga”.

O teu “peixe” é de tão boa qualidade (pois vem de lagoa limpa), que há de ser comprado por muitos. A tua Poesia (tua “droga”) embriaga realmente, não só os filhos de São José do Egito (berço do repente), mas também a todos aqueles que te lêem ou ouvem declamar. No palco, teus versos (que já são grandes) tornam-se enormes, pela tua emoção, e merecem todos os aplausos. Em teu livro, tu nos levas a passear pelas ruas e becos do mundo, pelas roças de todos os nordestes e pelos corações de todos os românticos. 
Ruas com gosto de fome e cheiro de cola; roças eternamente desassistidas, ora só pelo céu, ora pelo poder, mas sempre trabalhadas por homens heróis; corações que amam para pulsar sofrendo e que sofrem por paixões sem fim. Corações que chegam a entrar em taquicardia, com o arrebatamento dos teus versos clamando por justiça (fazendo-nos lembrar Rogaciano), mas que depois se acalmam e se arrepiam, com a doçura do teu lirismo, que não nos deixa esquecer Jó Patriota.

A paixão com que escreves, Poeta, “está na cara”, como diz o ditado. Por isso mesmo, os teus versos de amor e de saudade (por tua gente, por tua terra e por tua ‘mina’) também nos tocam tanto.

Sim, meu rapaz, se tu fores só “meio poeta”, como afirmas no último poema do livro, aí lascou tudo!... Já sei que tem muita gente esquartejada por aí afora...

Segundo o impagável Lourival Batista, “todo homem é palhaço que ri e chora”. Tu também, como ilustre palhaço a serviço da arte, és capaz de mudar riso em pranto, de um poema para outro, de uma página para a seguinte. Quando recitas, a magia dos teus versos transforma a platéia numa grande, feliz e hipnotizada orquestra, atenta a todas as manobras da invisível batuta que conduzes.

É muito bom constatarmos, poética e patrioticamente, que o Pajeú (o rio dos poetas) continua com essa incrível capacidade de renovação de talentos. Que Deus (o poeta de cima) não nos desminta nunca!

E vamos em frente, Vinícius! Tens ainda uma longa estrada a percorrer. O que eu desejo é que ela (sem te atrapalhar os estudos) seja toda atapetada de rimas e sonoramente poluída de aplausos, merecidos aplausos! Sempre que me for possível, estarei na platéia.
Tabira, 11/02/2008
Dedé Monteiro
 
Declaração de amor
(Aos Cem anos de São José do Egito)
*** Apresentado na visita do Governador Eduardo Campos ***
I
São José do Egito, um nome forte,
Carregado de muita tradição...
Um oásis no meio do Sertão,
Uma jóia de incomparável porte.
Eu confesso que tenho muita sorte
Em ser filho de terra que irradia
Versos, arte e cultura todo dia
-O teu nome abre portas, São José-
Pois, no mundo, és a única que é
Capital imortal da poesia!
II
Eu não vi, mas ouvi muito falar
Que nasceste da fé - que coisa bela -
E surgiste ao redor de uma capela
Que uns cristãos resolveram levantar.
Que vieste de um modo singular,
Dimensão pequenina e retraída,
Mas se formos olhar outra medida,
Já nasceste gigante, São José,
Pois quem nasce da fé, só pela fé,
Tem a benção de Deus por toda vida!
III
Sim, foi Deus que cumpriu esse papel
De plantar no teu chão tanta poesia.
Já tentei desvendar tua magia
E, ao tentar descobrir, não fui fiel...
Assim como as abelhas fazem mel
E ninguém descobriu qual “a receita”,
O segredo que sobre ti se deita
De ter tantos poetas filhos teus,
‘Stá guardado nas mãos do nosso Deus
E é por isso que o mundo te respeita.
IV
Teus poetas, teus loucos, tua gente,
Comemoram contigo um centenário.
Um tributo bem mais que necessário,
Merecido e bastante coerente...
Tua fama, teu nome do presente,
É devido às batalhas do passado.
Quem pisar no teu chão desavisado
E quiser desdenhar-te, causar danos,
Quando olhar com cuidado os teus cem anos,
Vai sentir-se pequeno e acuado.
V
Tu tens cem e eu só vou pros vinte e dois,
Com quatorze emigrei, saí de ti...
E esses oito restantes que vivi,
Foi sonhando em voltar pra ti depois.
E o meu sonho é o mesmo ainda, pois,
És meu ninho, meu lar, minha guarida
Por motivo da vida tão corrida,
Pouco tempo eu em ti me fiz presente,
Mas o pouco já foi suficiente
Pr’eu te amar, São José, por toda vida. 
VI
Quantos vates nasceram no teu chão?
Quantos outros ainda vão nascer?
És a prova que Deus fez florescer
O jardim da poesia no Sertão...
Muitas vezes teu pobre cidadão
Não escreve e nem lê, mas faz poesia...
Falta escola, sobra sabedoria
Nesse mesmo que chamam de matuto
Que faz verso, tão belo, num minuto,
Que um letrado, em dez anos, não faria! 
VII
Eu te amo e hoje bato no meu peito
Pra dizer: Sou de São José do Egito!!
Um poeta já disse, hoje eu repito:
Ser teu filho é ser vate por direito!
Eu me orgulho e também muito respeito
Os cem anos que nesse instante tens!
Te desejo poesia, entre outros bens,
E outros cem mais felizes e altaneiros!
Mas por tudo desses teus cem primeiros,
Parabéns, São José, meus Parabéns!!

Recife, 28/Fev/09
Vinícius Gregório

Mais alguns versos do poeta Vinícius Gregório:
Eu e o Galo-de -Campina

Triste sina de um Galo-de-Campina
Que era alegre bem antes da prisão,
Mas foi preso nas grades do alçapão
E hoje chora no canto a triste sina.

Eu também tive a sina repentina,
Pois um dia fui livre e hoje não.
Na tristeza, esse Galo é meu irmão:
Minha sina da dele é copia fina.

Hoje a casa do Galo é a gaiola.
Notas tristes no canto é que ele sola.
A saudade do Galo - a vastidão.

O meu canto é um canto de lamento.
A gaiola é o meu apartamento.
E a saudade que eu sinto é do sertão. 
Se não fosse a poesia

À direita de mim, vejo injustiça;
Na esquerda, o racismo e o desrespeito;
Bem na frente, eu só vejo o “tal” Direito
Afastar quem não “tem” da “tal” justiça;
Bem por trás, governantes de cobiça...
Que roubando nos ferram bem por trás...
Bem ao centro, eu me torno um incapaz,
Pois os lados que vou não têm saída...
Se não fosse a poesia em minha vida,
Desse jeito eu não viveria mais. 


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