“Justo céu, por que me deste Um peito capaz de amar?”
Não mediste a dor da cena De me deixar desse jeito... A dor que sinto em meu peito A qualquer um causa pena. Tal qual uma madalena... Trocaste-me num piscar. Sem ninguém pra me escutar Eu reclamo ao vão celeste: “Justo céu, por que me deste Um peito capaz de amar?”
Se era pra tirar depois, Melhor, antes não ter dado Teu amor falsificado Que me iludiu por nós dois. Numa plantação de arroz, O Pardal pode empestar. No plantio do meu pensar, A saudade é que é a peste... “Justo céu, por que me deste Um peito capaz de amar?”
Se é grande a dor da saudade, Pro poeta ela é maior... Eu quis tê-la ao meu redor, Mas foi só minha a vontade. Apesar da pouca idade, Envelheci de penar. Esse amor é como um mar Que eu “tô” nadando sem leste... “Justo céu, por que me deste Um peito capaz de amar?”
Melhor que eu tivesse vindo... Desprovido de ilusão, Pra que as dores da paixão Eu não tivesse sentindo. Era melhor “tá” vestindo O “véu” do “vagabundar”, Não me envolver, nem me dar... Mas é o amor quem me veste. “Justo céu, por que me deste Um peito capaz de amar?”
Saudade é sentir um nó Apertando o seu juízo. Solidão puxa de um lado (De um modo muito preciso) E a lembrança noutra ponta, Deixando a cabeça tonta, Cortando a força do riso!