Vinícius Gregório Nogueira Gomes nasceu no dia 06 de maio de 1987 na cidade de São José do Egito / PE, é filho de Agostinho Lourenço Gomes Filho e de Irene Nogueira Morato Gomes. Reside no Recife desde 2002, onde cursa o último ano de Direito.
Começou a admirar a poesia popular por meio do seu pai, que freqüentemente declamava pra ele poesias de Cancão, Rogaciano Leite, Dedé Monteiro, entre outros.
Fez seus primeiros versos aos quatorze anos, já residindo no Recife e começou a fazer apresentações (declamações) aos 18 anos.
De inspiração invejável, esse jovem e talentoso poeta é bastante requisitado para declamar as suas poesias e as de outros vates em diversos eventos poético-culturais.
Tem um cordel publicado de nome Fim de Festa e lançou - recentemente - o seu primeiro livro de poesias, intitulado Hereditariedade e tem um de seus trabalhos publicado na Antologia Poética - Retratos do Sertão, do poeta Marcos Passos.
Apresentação do livro Hereditariedade por Dedé Monteiro
Hereditariedade é a estréia oficial de um jovem grande Poeta, em quem até o duplo nome - Vinícius Gregório – tem tudo a ver com poesia: Vinícius de Morais, Gregório de Matos... e, para não precisar sair de casa: Gregório Filó. “Dê licença Pr’eu passar” é o primeiro poema deste seu primeiro trabalho. E é aí que eu me pego para dar início ao meu recado, como se estivéssemos conversando, no meu terraço ou no dele, a respeito desta sua realização há tanto tempo sonhada:
Querido Poeta, “Dê licença pr’eu passar” Não é coisa que se diga. Nem Deus vai cortar-te os passos, Pois até Ele se obriga, Por ser simples como nós, A escutar tua voz E aplaudir tua “cantiga”.
O teu “peixe” é de tão boa qualidade (pois vem de lagoa limpa), que há de ser comprado por muitos. A tua Poesia (tua “droga”) embriaga realmente, não só os filhos de São José do Egito (berço do repente), mas também a todos aqueles que te lêem ou ouvem declamar. No palco, teus versos (que já são grandes) tornam-se enormes, pela tua emoção, e merecem todos os aplausos. Em teu livro, tu nos levas a passear pelas ruas e becos do mundo, pelas roças de todos os nordestes e pelos corações de todos os românticos. Ruas com gosto de fome e cheiro de cola; roças eternamente desassistidas, ora só pelo céu, ora pelo poder, mas sempre trabalhadas por homens heróis; corações que amam para pulsar sofrendo e que sofrem por paixões sem fim. Corações que chegam a entrar em taquicardia, com o arrebatamento dos teus versos clamando por justiça (fazendo-nos lembrar Rogaciano), mas que depois se acalmam e se arrepiam, com a doçura do teu lirismo, que não nos deixa esquecer Jó Patriota.
A paixão com que escreves, Poeta, “está na cara”, como diz o ditado. Por isso mesmo, os teus versos de amor e de saudade (por tua gente, por tua terra e por tua ‘mina’) também nos tocam tanto.
Sim, meu rapaz, se tu fores só “meio poeta”, como afirmas no último poema do livro, aí lascou tudo!... Já sei que tem muita gente esquartejada por aí afora...
Segundo o impagável Lourival Batista, “todo homem é palhaço que ri e chora”. Tu também, como ilustre palhaço a serviço da arte, és capaz de mudar riso em pranto, de um poema para outro, de uma página para a seguinte. Quando recitas, a magia dos teus versos transforma a platéia numa grande, feliz e hipnotizada orquestra, atenta a todas as manobras da invisível batuta que conduzes.
É muito bom constatarmos, poética e patrioticamente, que o Pajeú (o rio dos poetas) continua com essa incrível capacidade de renovação de talentos. Que Deus (o poeta de cima) não nos desminta nunca!
E vamos em frente, Vinícius! Tens ainda uma longa estrada a percorrer. O que eu desejo é que ela (sem te atrapalhar os estudos) seja toda atapetada de rimas e sonoramente poluída de aplausos, merecidos aplausos! Sempre que me for possível, estarei na platéia.
Tabira, 11/02/2008
Dedé Monteiro
Declaração de amor (Aos Cem anos de São José do Egito)
*** Apresentado na visita do Governador Eduardo Campos ***
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I
São José do Egito, um nome forte, Carregado de muita tradição... Um oásis no meio do Sertão, Uma jóia de incomparável porte. Eu confesso que tenho muita sorte Em ser filho de terra que irradia Versos, arte e cultura todo dia -O teu nome abre portas, São José- Pois, no mundo, és a única que é Capital imortal da poesia!
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II
Eu não vi, mas ouvi muito falar Que nasceste da fé - que coisa bela - E surgiste ao redor de uma capela Que uns cristãos resolveram levantar. Que vieste de um modo singular, Dimensão pequenina e retraída, Mas se formos olhar outra medida, Já nasceste gigante, São José, Pois quem nasce da fé, só pela fé, Tem a benção de Deus por toda vida!
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III
Sim, foi Deus que cumpriu esse papel De plantar no teu chão tanta poesia. Já tentei desvendar tua magia E, ao tentar descobrir, não fui fiel... Assim como as abelhas fazem mel E ninguém descobriu qual “a receita”, O segredo que sobre ti se deita De ter tantos poetas filhos teus, ‘Stá guardado nas mãos do nosso Deus E é por isso que o mundo te respeita.
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IV
Teus poetas, teus loucos, tua gente, Comemoram contigo um centenário. Um tributo bem mais que necessário, Merecido e bastante coerente... Tua fama, teu nome do presente, É devido às batalhas do passado. Quem pisar no teu chão desavisado E quiser desdenhar-te, causar danos, Quando olhar com cuidado os teus cem anos, Vai sentir-se pequeno e acuado.
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V
Tu tens cem e eu só vou pros vinte e dois, Com quatorze emigrei, saí de ti... E esses oito restantes que vivi, Foi sonhando em voltar pra ti depois. E o meu sonho é o mesmo ainda, pois, És meu ninho, meu lar, minha guarida Por motivo da vida tão corrida, Pouco tempo eu em ti me fiz presente, Mas o pouco já foi suficiente Pr’eu te amar, São José, por toda vida.
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VI
Quantos vates nasceram no teu chão? Quantos outros ainda vão nascer? És a prova que Deus fez florescer O jardim da poesia no Sertão... Muitas vezes teu pobre cidadão Não escreve e nem lê, mas faz poesia... Falta escola, sobra sabedoria Nesse mesmo que chamam de matuto Que faz verso, tão belo, num minuto, Que um letrado, em dez anos, não faria!
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VII
Eu te amo e hoje bato no meu peito Pra dizer: Sou de São José do Egito!! Um poeta já disse, hoje eu repito: Ser teu filho é ser vate por direito! Eu me orgulho e também muito respeito Os cem anos que nesse instante tens! Te desejo poesia, entre outros bens, E outros cem mais felizes e altaneiros! Mas por tudo desses teus cem primeiros, Parabéns, São José, meus Parabéns!!
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Recife, 28/Fev/09 Vinícius Gregório
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Mais alguns versos do poeta Vinícius Gregório:
Eu e o Galo-de -Campina
Triste sina de um Galo-de-Campina Que era alegre bem antes da prisão, Mas foi preso nas grades do alçapão E hoje chora no canto a triste sina.
Eu também tive a sina repentina, Pois um dia fui livre e hoje não. Na tristeza, esse Galo é meu irmão: Minha sina da dele é copia fina.
Hoje a casa do Galo é a gaiola. Notas tristes no canto é que ele sola. A saudade do Galo - a vastidão.
O meu canto é um canto de lamento. A gaiola é o meu apartamento. E a saudade que eu sinto é do sertão. | Se não fosse a poesia
À direita de mim, vejo injustiça; Na esquerda, o racismo e o desrespeito; Bem na frente, eu só vejo o “tal” Direito Afastar quem não “tem” da “tal” justiça; Bem por trás, governantes de cobiça... Que roubando nos ferram bem por trás... Bem ao centro, eu me torno um incapaz, Pois os lados que vou não têm saída... Se não fosse a poesia em minha vida, Desse jeito eu não viveria mais. |
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