JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

JOSEMAR RABELO, SEM ÓDIO E SEM MEDO

segunda-feira, 4 de julho de 2011

POEMA LAMENTO DE UM JURITI

LAMENTO DE UM JURITÍ
Autores: Onildo Barbosa
e Clóris Andrade

Certa tarde eu contemplava
O sol que se escondia
Quando um pássaro pousava
Numa jurema que havia
Era um pobre Jurití
Tão triste que percebi
Que ele queria fazer,
No seu canto uma denúncia
Cada nota, uma pronúncia
Bem fácil de se entender.

Na melodia tristonha
Que o Jurití trazia
Mostrava a cena medonha
De um ato de covardia
O juriti sofredor
Me disse assim: Cantador!!
Viver pra mim já não presta,
Vim lhe relatar um fato
Um cruel assassinato,
Que abalou a floresta

Nós passarinhos vivemos
Sempre de arribação
Muitos horrores sofremos
Na chegada do verão
Somos vítmas das queimadas,
Das arapucas armadas,
Do disparo do gatilho ,
O medo nos apavora
Nossa fauna e nossa flora
Não tem mais o mesmo brilho.

O fogo queimando a rama
A mando dos fazendeiros
Os lagos virando lama
Nossas florestas, cinzeiros,
Os homens não nos dão tréguas
Voamos léguas e léguas
Procurando água e semente
Mas onde vamos pousando
Tem sempre alguém esperando
Querendo atirar na gente.

Na chegada do inverno
O campo se ornamenta
Mas aí vira um inferno
Porque a caçada aumenta
Se a gente pousa num galho
Bebe uma gota de orvalho
Não se pode demorar!!
Nosso sossego e incerto
Tem sempre um caçador perto
Pronto para nos matar.

Hoje pro meu desengano
Ou por meu cruel destino
Parei na frente do cano
Da arma de um assassino.
Quando o dia clareou
Meu filho me convidou
Pra ir beber no riacho
Um lugar que tem bom clima
Flores e frutos por cima
E água fresca por baixo.

Lá outras aves felizes
Sempre bebem de manhã
Sabiás nhambu, perdizes
Canário, guriatã,
Eu não tinha percebido
Que tinha alguém escondido
Numa moita de capim
Para aumentar minha mágoa
Antes que eu bebesse a água
O homem atirou em mim.

O dia ficando claro
De repente escureceu
Eu só ouvi o disparo
A fumaça me envolveu,
O chumbo passou raspando
Vi muitas penas voando
Entre aquele desconforto
Tentei deixa o riacho
Sem querer olhei pra baixo
Avistei meu filho morto.

Fiquei desorientado
Em meio aquele estampido
Voava pra todo lado
Vendo meu filho ferido
Ainda estava respirando
Mas vi o Homem chegando
Com espingarda de mola
Pegou meu filho de mão
Bateu com força no chão,
E colou na sacola.

Os outros pássaros voaram
Em busca de outro rumo
Nas penas que me faltaram
Fui voar perdi o prumo
No tiro eu perdi as penas
Restaram algumas pequenas
As maiores eu perdi,
Com essa dor no meu peito
Sem puder voar direito
Tive que parar aqui.

Meu filho cantava lindo!
Ao amanhecer do dia,
Quando o sol vinha surgindo
Era a maior alegria
Cantava ao som da cascata
Sua voz rompia a mata,
Dando vida a natureza!!
Sem ele estou infeliz,
O mundo dos juritis
Prá mim perdeu a beleza.

Me responda cantador!!
Você já matou alguém?
Atire em mim por favor!
Eu quero morrer também..
Nessa hora eu percebi
Que o pobre juriti
Tentou cantar mas não deu!!
Entre dor e desespero
O pássaro cancioneiro
Abriu o bico e morreu.

Depois da cena que vi
Um sentimento me resta
Em nome do juriti
Vamos salvar a floresta!!
Vamos frear as caçadas,
Dá um basta nas queimadas,
Preservando: fauna e flora,
Porque no ritmo que vemos,
O planeta em que vivemos
Pra se acabar não demora.


Vitória da Conquista, 03/07/2011

Um comentário:

  1. Só tem uma palavra a dizer.. MAGNIFICO, PARABENS PARA O AUTOR E TAMBEM PARA VOCE QUE POSTOU ESSE LINDO POEMA.

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